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Cientista política defende diálogo e foco em eleitores ausentes no 2º turno

por | 9 out, 2026

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A estratégia para o segundo turno das eleições deve ir além das redes sociais e apostar no diálogo direto com eleitores, especialmente aqueles que não votaram na primeira etapa da disputa. A avaliação é da cientista política Larissa Peixoto Gomes, pesquisadora da Universidade de Edimburgo.

Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, Larissa afirmou que a conversa cotidiana pode ser decisiva para alcançar eleitores indecisos ou resistentes aos dois candidatos.

“Conversar é essencial, falar com alguém que você conhece: ‘Ah, eu não gosto de nenhum dos dois’. Ok, você não gosta de nenhum dos dois, mas um quer te dar um soco na cara e o outro quer te dar um aperto de mão”, afirmou.

Para a pesquisadora, parte do eleitorado está cansada do debate político e pouco disposta a discutir posições já consolidadas. Por isso, a campanha precisa identificar quem ainda pode ser convencido, em vez de concentrar esforços apenas nos eleitores mais engajados.

Larissa também citou a necessidade de ampliar a discussão sobre a Constituição de 1988 diante de propostas atribuídas ao candidato Flávio Bolsonaro. Segundo ela, muitos eleitores desconhecem a dimensão dos direitos garantidos pela Carta Magna.

“A Constituição de 1988 é preciosa”, declarou.

A cientista política mencionou direitos relacionados à educação, ao Sistema Único de Saúde (SUS), à Farmácia Popular, aos direitos humanos e às chamadas cláusulas pétreas como temas que poderiam ser apresentados de maneira mais acessível durante a campanha.

Ela, no entanto, avalia que esse tipo de argumento pode ter pouco efeito entre eleitores que já estão fortemente alinhados ao bolsonarismo e que tendem a rejeitar críticas classificando-as como “fake news”.

Por isso, Larissa defende que a campanha concentre parte dos esforços em quem não compareceu às urnas, votou nulo ou deixou de escolher um candidato no primeiro turno.

“A gente tem que chegar nas abstenções, nos nulos, nas pessoas que não foram”, afirmou.

Para a pesquisadora, a disputa no segundo turno passa também pela capacidade de mobilizar eleitores que ainda não estão envolvidos diretamente na campanha. A aposta é que conversas pessoais e abordagens direcionadas possam ter mais impacto do que a repetição de mensagens para públicos que já estão convencidos.

O segundo turno será marcado por uma disputa mais concentrada entre os dois candidatos que avançaram na eleição, aumentando a importância dos votos dos eleitores que ficaram fora da decisão no primeiro turno.

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