Brasileiros que vivem no Paraguai enfrentam prejuízos financeiros após a liquidação do banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso imediato ao dinheiro. Entre os afetados estão empresários que perderam capital de giro e trabalhadores que tiveram economias retidas pela instituição.
Segundo reportagem do g1, o empresário Pedro Treméa, de 61 anos, teve mais de R$ 200 mil bloqueados na instituição. Dono de uma empresa de refrigeração em Ciudad del Este, ele utilizava a conta para movimentar recursos do negócio.
O impacto, segundo ele, poderia ter sido ainda maior se a empresa não mantivesse contas em diferentes bancos. Além da dificuldade para recuperar o dinheiro, Treméa teme os efeitos da crise sobre as importações, realizadas em reais ou dólares.
A liquidação do Ueno foi determinada pelo Banco Central paraguaio na terça-feira (3), após a identificação de problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas ligadas à instituição. O banco atendia cerca de 3 milhões de clientes, aproximadamente 60% da população adulta do país.
Empresário perde dinheiro da oficina
Em Presidente Franco, na região da Tríplice Fronteira, o brasileiro Marcelo Bernard, de 26 anos, perdeu cerca de 5 milhões de guaranis, equivalentes a R$ 4,5 mil. Proprietário de uma oficina mecânica, ele afirmou que conseguiu limitar o prejuízo porque mantinha parte do capital de giro em dinheiro vivo.
“Eu não tinha todo o meu dinheiro no banco. Eu tinha cerca de 5 milhões de guaranis lá, mas o dinheiro de giro eu mantinha na carteira”, contou ao g1.
Marcelo também relatou revolta entre os paraguaios diante da crise e cobrou punição aos responsáveis pelas irregularidades.
Trabalhadora perde economias das férias
A brasileira Dalma Morinigo, de 31 anos, que mora em Ciudad del Este e trabalha em uma casa de câmbio, também foi atingida. Ela tinha mais de R$ 7 mil em guaranis depositados no Ueno, valor que pretendia utilizar nas férias de fim de ano.
Ao tentar acessar o aplicativo após a notícia da liquidação, Dalma percebeu que não conseguia consultar o saldo nem realizar operações.
“Não há muito a ser feito, temos que esperar”, lamentou.
Garantia tem limite para ressarcimento
O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai cobre até 228,3 milhões de guaranis por pessoa e instituição financeira, valor equivalente a aproximadamente R$ 200 mil. Quem mantinha quantias superiores ao limite poderá depender do processo de resolução do banco para recuperar o restante.
Em meio à crise financeira, o presidente Santiago Peña anunciou medidas para acelerar a devolução dos recursos aos clientes, incluindo a utilização do fundo de garantia. Dois dias após a liquidação do banco, Peña anunciou sua renúncia à Presidência, em meio à pressão política e ao avanço de um processo de impeachment.
A crise preocupa também os cerca de 270 mil brasileiros que vivem no Paraguai, segundo estimativas do Itamaraty, especialmente aqueles que dependem de contas bancárias locais para administrar negócios e despesas do dia a dia.







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