A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) vive uma crise devido à falta de concurso público para professores, prometido há 15 anos. Além de escassos recursos para manutenção, o reduzido quadro de docentes pode fazer com que a entidade educacional de nível superior deixe de ser uma universidade, além de prejudicar a qualidade do ensino.
Ao 082 Notícias, um grupo de professores confirmou a necessidade urgente de se fazer um certame. Nos últimos três anos, cerca de 12 professores se aposentaram ou pediram exoneração. Foram solicitados 84 professores por meio de concurso público, segundo levantamento inicial. O ideal seria a contratação de 130 novos docentes para completar a quantidade legal de professores na Uneal.
Sem quadros suficientes com mestrado e doutorado, a Uneal pode perder o status de universidade. O 082 Notícias levantou que o quadro necessário para mestrado e doutorado seria em torno de 50 professores, para ter três mestrados e dois doutorados. Seriam nessa faixa de 50 doutores que estivessem especificamente voltados ao ensino de mestrado e doutorado.
Hoje, há turmas que chegam a funcionar com 40 alunos por conta do número reduzido de professores, o que reduz a qualidade do ensino e aumenta o tempo de duração dos cursos. Isso gera um caos social devido à importância da Uneal. Se houvesse concurso público, alertam os professores, mais alunos concluiriam o curso superior em Alagoas e o mercado teria mais profissionais qualificados.
Isso ocorreria, principalmente, na área de professores, formação de professores e bacharelados, na área de ciências agrárias, administração, economia, todas as áreas em que a Uneal tem oferecido pelo interior, dando chances a pessoas desses municípios. E de aumentar, também, a quantidade de pessoas que terminam a graduação e o ensino superior.
Em Alagoas, a expansão universitária iniciou com a Uneal, há três décadas. A universidade, em áreas importantes do estado de Alagoas, foi importantíssima na melhoria do Ideb e do PIB das regiões, como na promoção da melhoria na genética de vacas leiteiras no Sertão, profissionalização dos diretores e coordenadores das escolas municipais e estaduais em todas regiões onde a Uneal trabalha há 53 anos.
Veja outros pontos levantados pelos docentes:
Pós-graduação
A pós-graduação tem oferecido, basicamente, somente lato sensu. Strictu sensu só tem um curso, que é o ProDic. O ProDic é um mestrado em desenvolvimento territorial e cultura. E, mesmo assim, a gente precisaria de ter, pelo menos, três mestrados e um doutorado para poder continuar como universidade. E essa dificuldade é que nós não temos quadros suficientes para montar, além da graduação que já é ineficiente, insuficiente, aliás. Pós-graduação, pior ainda, porque precisaria de bem mais professores com quadro e com currículo mais voltado para pesquisa e extensão. Com bastante material publicado para poder fazer parte do quadro dos cursos de mestrado e doutorado. Nos últimos anos, foram enviados sempre duas, três propostas de mestrado para Capes, mas aí esbarra sempre nessa questão, né? Quantidade de professores e, no caso, publicações realizadas pelos professores. Como a maioria tem que pegar muita disciplina, a maioria somente tem tempo de dar aula, não tem tempo de fazer pesquisa e de publicação também em revistas mais conceituadas.
Pesquisa
Outro ponto é o recurso destinado à pesquisa, à manutenção das pesquisas e também à extensão praticamente inexistente, já que só existem 80 bolsas de Pibic, 12 de iniciação tecnológica, iniciação científica. Nenhum recurso para pagamento de bancada de material que é gasto, principalmente, nos cursos de ciências biológicas e isotecnia. Não existem recursos, nem também bolsas para professores, pesquisadores, nem para despesas de deslocamento, nada disso. Não existe auxílio a deslocamento para transporte de professores, então, isso tudo dificulta.
Deslocamentos
Agora, atualmente, na curricularização da extensão, também outro problema é a manutenção de deslocamentos, porque a Uneal só tem um micro-ônibus, um ônibus de 40 lugares e seis campi. Então, é uma disputa muito grande para conseguir o ônibus, além de que, quando chega no meio do semestre, a cota de combustível se acaba e aí não tem mais condições de fazer nenhum deslocamento. O ideal seria que, pelo menos, os campi mais distantes tivessem um ônibus para sair de lá para os lugares. Ficaria mais barato porque, se algum professor solicita o transporte em Santana Ipanema, para ir para Delmiro, por exemplo. Então, o transporte sai de Arapiraca para pegar os alunos em Santana para ir para Delmiro, depois voltar de novo para Santana e depois voltar para Arapiraca. Tem um aumento aí de quase 300 quilômetros de combustível para ser gasto, porque todos os veículos têm que sair de Arapiraca para o destino que se quer. Então, se tivesse um ônibus em Santana, sairia de Santana para Delmiro, para Poço, ali próximo, e economizaria combustível. Ou mesmo o aluguel, só no dia da viagem, poderia também se alugar o ônibus. São essas questões, ônibus ou van, que não têm suficientes nem os recursos e nem os equipamentos.








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