A tardia revelação ao mundo da sequência de crimes cometidos pela Braskem em Maceió expôs o vergonhoso acordo celebrado entre a empresa, a gestão JHC, os ministérios públicos Federal e Estadual e Defensoria Pública da União.
O preço da “rendição” foi R$ 1,7 bilhão. O pix repassado da empresa criminosa para a administração municipal é um escárnio. A Braskem vitimou 60 mil pessoas, dezenas mortas por infarto, depressão, AVC e cerca de treze suicídios.
A ganância da Braskem em obter lucros imorais, com total conhecimento de que consumava crimes em série, era alimentada pela sanha assassina dos seus diretores e acionistas. Com igual voracidade, o prefeito JHC assinou o acordo de rendição de Maceió, sem se importar com o sofrimento de dezenas de milhares de pessoas.
A mina 18 furou a bolha da mídia local e nacional e estabeleceu a dimensão real do problema. Os operadores da Bolsa de Valores, de São Paulo ou Nova York, estão sabendo o que, efetivamente, aconteceu em Maceió.
A sociedade civil, assim como os investidores, também tomaram conhecimento dos fatos revelados pelas mídias.
As vítimas, cada vez mais, avançam na organização e travam o enfrentamento com os órgãos estatais que teriam de fiscalizar, proteger e defender os direitos subtraídos das milhares de vítimas e da sociedade. Essas instituiçoes estão sendo empurradas para as cordas.
A legitimidade de se rebelar e enfrentar os poderes é um direito consagrado pela Constituição. Os doutos senhores e senhoras vão, de agora em diante, saber qual é o tamanho da exposição pública de suas decisões em benefício da Braskem.
Rebelar-se contra os algozes e seus aliados gera momentos históricos de consciência política-cidadã ou desespero em massa. Os levantes ocorridos nos Flexais e no Bom Parto é para ser celebrado como sinal de vitalidade da sociedade. Esta parte da sociedade que se insurge contra o aparelho de Estado é saudável, é legitima e, espera-se que não se desmobilize.
As redes sociais dos pobres oprimidos dos alagadiços do Bom Parto, Flexais, Quebradas e rua Marquês de Abrantes se insurgiram pela ausência de quem deveria protegê-los.
- Foto: Divulgação
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As organizações sociais, as igrejas progressistas, os partidos políticos de esquerda e democratas, o movimento sindical e as centrais sindicais entenderam que essa luta não pode ser apenas das vítimas da Braskem. A cidade de Maceió tem sido vítima dessa indústria há quase 50 anos.
O prefeito JHC, os ministérios públicos Federal e Estadual, a Defensoria Pública da União (DPU), a Justiça Federal e o IMA não podem ficar um único dia sem serem pressionados pela população que busca os seus direitos.
A democracia se fortalece com enfrentamento de classe e de postura política. Nenhuma democracia se consolidou sem embates.










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