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Milhões para poucos: o privilégio do Pinto da Madrugada no carnaval de Maceió

por | 21 fev, 2025

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Ensaio aberto do Pinto da Madrugada | Célio Junior/Secom Maceió

Mais uma vez, a Prefeitura de Maceió despeja dinheiro público sem transparência para beneficiar um bloco específico: o Pinto da Madrugada. O grupo, que conta com a preferência do vice-prefeito Rodrigo Cunha, foi agraciado com nada menos que R$ 1 milhão para garantir seu desfile na Ponta Verde.

Esse mesmo valor tem sido concedido nos últimos anos, evidenciando um padrão de favorecimento que passa ao largo dos critérios republicanos que deveriam reger o uso dos recursos públicos.

Enquanto isso, o bairro histórico de Jaraguá, que há mais de duas décadas abriga centenas de blocos carnavalescos, nunca recebeu uma quantia sequer próxima a essa. Os blocos de Jaraguá mantêm viva a tradição do Carnaval de rua da cidade, movimentam a economia local e reúnem milhares de foliões sem contar com os mesmos privilégios garantidos ao Pinto da Madrugada.

A influência política e o lobby que cercam a diretoria do bloco explicam por que, ano após ano, ele continua a receber cifras milionárias sem prestação de contas pública. No site da prefeitura e na página oficial do bloco, não há detalhamento visível sobre como esse dinheiro foi aplicado. A ausência de transparência escancara o descompromisso da administração municipal com a equidade na distribuição de recursos culturais.

O Carnaval de Maceió não pode ser palco de apadrinhamentos políticos e destinação seletiva de verbas. O dinheiro público pertence ao povo e deve ser distribuído com justiça, transparência e critérios claros. O que se vê, porém, é a velha prática do favorecimento de amigos do poder, em detrimento da pluralidade e da valorização da cultura popular como um todo.

Números inflados

O Pinto da Madrugada, em publicação no Instagram no dia 2 de fevereiro de 2024, anunciou que levaria 400 mil pessoas para a avenida. No entanto, é matematicamente impossível acomodar essa quantidade de pessoas nas avenidas Antônio Gouveia e Sílvio Viana.

Veja os cálculos:

1. Área total das avenidas
Estima-se que o trecho do desfile tenha cerca de 2 km (2.000 metros) de extensão e uma largura média de 20 metros (considerando a soma das vias e calçadas).

Área total:
2.000 metros × 20 metros = 40.000 m²

2. Capacidade máxima de público por metro quadrado
Com base nos padrões de lotação:

Aglomeração leve (2 pessoas/m²): 80.000 pessoas
Aglomeração média (4 pessoas/m²): 160.000 pessoas
Aglomeração alta (6 pessoas/m²): 240.000 pessoas
Aglomeração extrema (7 pessoas/m²): 280.000 pessoas

3. Conclusão

Mesmo na aglomeração mais extrema, com 7 pessoas por metro quadrado, o máximo que caberia seria 280 mil pessoas. Para atingir 400 mil, precisaríamos de 10 pessoas por metro quadrado, o que é inviável e completamente impraticável.

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