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Feliz Deserto em luta: população lança manifesto contra mineração predatória

por | 24 fev, 2025

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Foto: Assessoria

Moradores do município de Feliz Deserto-AL, movimentos sociais, instituições e cidadãos alagoanos se uniram em um manifesto online contra os impactos causados pela mineradora Geomineração Exploração Mineral Ltda, que realiza a extração predatória de areia no município. Esse movimento, que visa pressionar as autoridades e a sociedade para a suspensão das atividades da mineradora, é uma resposta às graves consequências socioambientais que a exploração tem causado na região.

A exploração de areia no município, especialmente no Loteamento Paraíso do Sul, tem gerado danos irreparáveis, como a formação de crateras, o assoreamento do Rio Canduípe e rachaduras nas residências devido aos tremores provocados pelo uso de maquinário pesado. Esses impactos não afetam apenas o meio ambiente, mas também a qualidade de vida dos moradores, que têm visto suas casas e infraestrutura ameaçadas. Além disso, o tráfego constante de caminhões tem aumentado a poluição do ar e o risco de acidentes nas vias locais.

Em 11 de fevereiro de 2025, o prefeito Jorge Luiz Silva Nunes suspendeu a licença para a extração de areia, em uma tentativa de proteger a comunidade. Porém, a reação da mineradora foi imediata e agressiva, com a empresa movendo processos judiciais contra o prefeito e a própria prefeitura. Essa atitude reflete uma estratégia de intimidação, buscando silenciar quem denuncia a devastação causada pela mineração e dificultar a mobilização social.

Assédio judicial

A situação se agrava ainda mais com os processos judiciais movidos contra o professor Wanderson Lessa Almenara, que tem sido uma das principais vozes contra a exploração predatória. Além de ser alvo de processos civis e criminais, Almenara também viu a petição pública que criou contra a mineração ser alvo de ação judicial pela própria mineradora. Essa estratégia de criminalização busca amedrontar e deslegitimar as denúncias da comunidade.

Esses ataques não se restringem a moradores e líderes locais. O jornalista Ricardo Rodrigues da Rocha, o editor-chefe Ricardo Castro e o Jornal Tribuna Independente também foram processados por exporem a exploração ilegal de areia e os impactos ambientais causados pela Geomineração. A mineradora, em sua tentativa de silenciar a verdade, busca calar a imprensa e todos que se opõem à sua atividade predatória.

Além dos danos diretos à população, a atuação da mineradora faz parte de um ciclo mais amplo de destruição ambiental no litoral sul de Alagoas, que já afeta a região de Dunas do Cavalo Russo e o Sítio Bom Retiro. Esse ciclo está relacionado à exploração da areia para abastecer as minas da Braskem, com o pretexto de “interesse público”, mas que na realidade representa um grave risco para o meio ambiente e para a vida das comunidades locais.

Luta é por justiça social e ambiental

Neste contexto, moradores de Feliz Deserto, movimentos sociais e cidadãos de todo o estado de Alagoas repudiam veementemente a atuação da mineradora e suas tentativas de silenciar os opositores. A comunidade exige a responsabilização das instituições que concederam licenças para a atividade, como o Iphan, Ibama, ANM, IMA e Crea-AL, que devem garantir que as atividades licenciadas não causem danos irreparáveis à população e ao meio ambiente.

A luta contra a extração predatória de areia é também uma luta pela justiça social e ambiental. Exigimos que as licenças concedidas à Geomineração sejam revistas e suspensas, e que a população tenha o direito de participar ativamente dos processos de licenciamento. A defesa do meio ambiente e dos direitos das comunidades não pode ser criminalizada, e a justiça deve ser feita, reparando os danos causados e garantindo que a destruição ambiental seja impedida.

Cidadãos alagoanos e moradores de Feliz Deserto conclamam todos a assinarem o manifesto e apoiarem essa causa, pela preservação do meio ambiente, pela justiça social e pela defesa da vida.]

O documento pode ser assinado clicando aqui.

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