O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está disposto a “pacificar” a relação com o Palácio do Planalto — mas não de graça. Segundo revelou a colunista Carla Araújo (UOL), Alcolumbre apresentou duas exigências ao governo Lula como condição para encerrar a tensão institucional criada após a derrubada do decreto do IOF: a saída do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o fim da narrativa de que o Congresso atua contra a justiça social.
Esses gestos, longe de serem parte de uma negociação legítima entre os Poderes, revelam o uso da chantagem política como instrumento de pressão. Ao lado de Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, Alcolumbre liderou a articulação para derrubar o decreto que aumentava a arrecadação sobre operações financeiras de alto valor, medida que favorecia os programas sociais e corrigia distorções que penalizam os mais pobres. O discurso da justiça tributária, no entanto, foi tratado como afronta por setores do Congresso.
O incômodo de Alcolumbre se transformou em ação coordenada: além de viabilizar a votação-relâmpago que anulou o decreto, passou a pressionar o Planalto por mudanças internas e recuos públicos. Ao exigir a troca de um ministro e o silêncio sobre os privilégios do Congresso, Alcolumbre age como porta-voz de um bloco político que resiste a qualquer tentativa de reequilibrar o sistema fiscal brasileiro.
Na prática, o que está em jogo é mais do que a permanência de um ministro ou a narrativa de governo: é o destino de uma proposta de justiça tributária que mexe com os lucros de bancos, plataformas de apostas e acionistas milionários. A blindagem desses grupos — já beneficiados com a derrubada do decreto — depende da estabilidade de um Congresso que funciona como extensão de seus interesses.
Alcolumbre não fala por um Senado preocupado com o bem público, mas por um condomínio de privilégios que tem no mercado financeiro seu principal inquilino. Ao cobrar “gestos” de Lula, o senador não pede diálogo — apresenta faturas políticas cujo pagamento é feito pela população pobre e trabalhadora, enquanto os super-ricos seguem isentos de tributos sobre lucros e dividendos.
A chamada “paz institucional” vendida por Alcolumbre é, na verdade, uma trégua cara: exige submissão simbólica, abandono do discurso popular e o recuo prático de medidas que incomodam os donos do poder econômico. Se aceita, significa renunciar a parte essencial do projeto de reconstrução do país.





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