Na manhã desta quinta-feira, 3 de julho, um ato político de grande impacto simbólico sacudiu o centro financeiro do país: cerca de 300 militantes da Frente Povo Sem Medo, do MTST e de outros movimentos populares ocuparam o saguão da sede do Itaú BBA, na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Durante duas horas, o prédio símbolo do poder bancário e da concentração de riqueza foi transformado em palco de denúncia popular contra os privilégios tributários dos super-ricos.
A palavra de ordem foi clara: “Justiça tributária já!”.
Os manifestantes denunciaram o conluio entre o sistema financeiro e o Congresso Nacional — evidenciado na recente votação que derrubou o decreto presidencial que aumentava o IOF sobre apostas eletrônicas, fundos exclusivos e outros instrumentos usados pelas elites econômicas para escapar da carga tributária. Foram 383 deputados que votaram a favor dos super-ricos e contra a população trabalhadora.
O Itaú foi escolhido não por acaso. O banco, que comprou o luxuoso edifício por R$ 1,5 bilhão em 2023, representa o topo da pirâmide que lucra com a desigualdade. Enquanto o povo paga impostos sobre tudo — comida, energia, remédio — grandes instituições financeiras, fundos de investimento e bilionários seguem blindados por um sistema tributário regressivo, feito sob medida para manter os privilégios de poucos.
A ação também mandou um recado claro aos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre: o povo sabe quem vocês representam. A movimentação popular nas redes, que viralizou nos últimos dias, chegou às ruas com força e indignação. Não haverá trégua enquanto a justiça tributária não for pauta central do país.
Mais do que um protesto, a ocupação da sede do Itaú é um marco simbólico: a classe trabalhadora rompeu o cerco e tocou no nervo mais sensível da elite — seu bolso. A luta por justiça tributária é a luta de classes em sua forma mais atual. E ela está apenas começando.
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