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Agrogolpistas: empresa que enviou caminhões para QG golpista recebeu prêmio de excelência da Syngenta

por | 11 jul, 2025

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Reprodução

O observatório De Olho nos Ruralistas divulgou, no dia 25 de junho, o relatório Agrogolpistas, que detalha o envolvimento de 142 empresários do agronegócio com os atos antidemocráticos que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. Entre os citados, está a distribuidora de agrotóxicos Agrosyn, de Sorriso (MT), que teve caminhões identificados nos bloqueios rodoviários organizados após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.

Mesmo com contas bancárias bloqueadas por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Agrosyn foi homenageada em 2024 com o Prêmio Raízes, concedido pela multinacional Syngenta, referência global na indústria de pesticidas. O reconhecimento rendeu à empresa uma viagem de premiação a Dubai e às Maldivas.

Segundo o relatório, a Agrosyn é uma parceira regional da Syngenta e utiliza até mesmo o sufixo “syn” em referência à multinacional, que tem sede na Suíça e foi comprada em 2017 pela estatal chinesa ChemChina. Em nota enviada à imprensa, a Syngenta afirmou que não compactua com atos antidemocráticos e que a avaliação de seus parceiros comerciais é contínua, com base em critérios internos de integridade, responsabilidade social e governança.

O caso da Agrosyn não é isolado. O relatório mostra que, embora muitos envolvidos tenham sido inicialmente descritos como empresários do setor de transportes, ao menos 26 das empresas com contas bloqueadas por participação nos bloqueios são holdings agropecuárias ou têm como sócios fazendeiros influentes.

Outra empresa ligada à Syngenta e mencionada no estudo é a AvantiAgro, de Luís Eduardo Magalhães (BA), fundada pelos irmãos Walker, tradicionais produtores de soja e algodão. Vilson Walker, um dos sócios, teve caminhões identificados no acampamento montado em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília. Nenhum dos envolvidos foi responsabilizado judicialmente.

O relatório também revela conexões políticas entre os empresários e lideranças bolsonaristas. O dono da Agrosyn, Sérgio Adão Esteves, foi sócio de Dilceu Rossato (Republicanos), ex-prefeito de Sorriso e apoiador declarado de Jair Bolsonaro. Rossato não é investigado, mas figura como elo entre diversos nomes citados, além de ter sócios que enviaram veículos aos atos golpistas.

Dilceu Rossato posa sorridente em encontro com Bolsonaro. (Foto: Reprodução/Facebook)

A Syngenta, por sua vez, aparece como uma das corporações mais próximas do governo Bolsonaro. Segundo o relatório Os Financiadores da Boiada, também do De Olho nos Ruralistas, a empresa liderou o número de reuniões com integrantes do alto escalão do governo anterior: foram 81 encontros.

Com Agrogolpistas, o observatório reforça que os ataques à democracia brasileira tiveram apoio logístico e financeiro de empresários influentes e integrados a cadeias globais, revelando que o golpismo não se limitou a atos isolados, mas envolveu setores organizados do agronegócio nacional.

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