Na última semana, o bolsonarismo viveu um momento de ebulição: primeiro comemorou o posicionamento agressivo de Donald Trump em defesa de Jair Bolsonaro, depois culpou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela decisão americana e, por fim, mostrou rachaduras internas ao buscar atenuar os efeitos do chamado “tarifaço” antes que as consequências econômicas se agravassem.
O processo se deu em cinco atos. Inicialmente, aliados como o governador Tarcísio de Freitas e o deputado Eduardo Bolsonaro se juntaram à narrativa de Trump, classificando como “perseguição política” o julgamento do ex-presidente no STF. Mas, dois dias após o anúncio da sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, o discurso mudou: governadores bolsonaristas passaram a atribuir a culpa unicamente ao governo federal, pedindo abertura ao diálogo para evitar prejuízos aos estados.
O racha ficou mais evidente quando Tarcísio foi criticado por integrantes da base conservadora por supostamente minar o apoio ao ex-presidente — a solução defendida por Eduardo e Flávio Bolsonaro seria anistia a aliados bolsonaristas em troca do fim das tarifas.
Do outro lado, o presidente Lula aproveitou o episódio para reforçar uma posição nacionalista. Ele criticou a interferência externa, chamou a medida de “inadmissível” e afirmou que buscará esgotar as negociações, sem descartar ações recíprocas com base na Lei de Reciprocidade Econômica. Além disso, a base do PT se mobilizou em manifestações e reforçou o clamor por “respeito ao Brasil”, capitalizando o sentimento de defesa da soberania .
Analistas apontam que o “tarifaço” impulsionou uma polarização onde setores da indústria e do agronegócio — historicamente alinhados ao bolsonarismo — passaram a se afastar, preocupados com o impacto econômico. Já Lula emergiu como o defensor dos interesses nacionais, enquanto o bolsonarismo, dividido entre instrumentalizar o episódio em favor de Bolsonaro e buscar uma saída pragmática, viu suas contradições expostas.
Nas próximas semanas, será decisivo observar até que ponto a estratégia de Lula de conduzir negociações e reforçar a narrativa de soberania terá êxito — e se os bolsonaristas encontrarão terreno comum para manter uma frente coesa, ou se o racha se aprofunda com o acirramento da crise.





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