O piloto Mauro Caputti Mattosinho prestou depoimento à Polícia Federal e revelou detalhes que colocam dois políticos no centro de suspeitas envolvendo transporte de dinheiro vivo e uso de aeronaves por empresas ligadas ao crime organizado.
Ele afirma ter participado de um voo em agosto de 2024, quando transportou uma sacola de papelão que aparentava conter grande quantidade de dinheiro. O objeto, entregue por pessoas ligadas a uma empresa de combustíveis investigada por ligação com o PCC, foi tratado como prioridade e acompanhado de alertas para que recebesse cuidado especial.
Segundo o relato, durante o desembarque em Brasília, um dos presentes questionou se “já estava tudo certo com o Ciro”, sugerindo que o destino final do material estava relacionado a um encontro com o senador Ciro Nogueira.
O piloto afirma que o episódio ocorreu no mesmo dia em que o político teria se reunido com pessoas próximas ao grupo que o contratava. Nogueira nega qualquer envolvimento, afirma não ter proximidade com os investigados e colocou seus sigilos à disposição da Justiça. O senador também acionou judicialmente o veículo de imprensa que publicou a denúncia.
Mattosinho também relaciona Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, ao esquema. Ele relata que colegas e superiores apontavam Rueda como verdadeiro dono de parte das aeronaves operadas por uma empresa de táxi aéreo investigada por ligações com o PCC.
O piloto cita, entre outros, um jato Raytheon 390 Premier, registrado formalmente em nome de terceiros, mas que teria como beneficiário oculto o dirigente partidário. Afirma ainda que Rueda manifestou interesse em adquirir um modelo Gulfstream 550, de porte internacional.
As declarações reforçam linhas de investigação do Ministério Público e da Polícia Federal sobre o uso de empresas de aviação e de combustíveis em esquemas de lavagem de dinheiro e movimentação de recursos ilícitos.
Ainda assim, tanto Ciro Nogueira quanto Antonio Rueda negam de forma categórica qualquer ligação com os fatos narrados. Ambos sustentam que não participaram de transporte de valores e que não são proprietários de aeronaves associadas ao crime organizado.
As denúncias de Mattosinho abrem novas frentes de apuração sobre possíveis vínculos entre políticos de alto escalão, empresas do setor aéreo e operações atribuídas ao PCC.
Até o momento, as informações estão baseadas no testemunho do piloto, cabendo às autoridades reunir provas documentais e patrimoniais que confirmem ou desmintam as suspeitas.








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