quinta-feira, 30 julho 2026
Nublado
Maceió
26°C
Nublado
Nublado
Maceió
26°C
Nublado

Laís Santos Araújo: do cinema alagoano à Résidence do Festival de Cannes

por | 8 out, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Foto: Divulgação

Por Geraldo de Majella*

Alagoas acaba sendo uma parte muito importante das minhas histórias… ouvir o sotaque da gente é muito incrível.

A cineasta Laís Santos Araújo, de Maceió, foi selecionada para participar da Résidence do Festival de Cannes, um dos programas de formação e criação cinematográfica mais prestigiados do mundo. Ela é a única brasileira entre os seis nomes escolhidos de todos os continentes.

Durante quatro meses e meio em Paris, Laís vai desenvolver o projeto do longa-metragem “Infantaria”, uma expansão do universo do curta homônimo, premiado internacionalmente. O programa oferece consultorias, imersão em eventos do circuito cinematográfico europeu e tempo dedicado integralmente ao roteiro.

“Eu havia passado pelo processo de seleção — envio do roteiro traduzido, entrevista — e estava há alguns dias esperando essa notícia, ciente de que seria muito difícil passar, mas com expectativas. Então foi maravilhoso receber a notícia”, contou Laís em entrevista ao Tribuna Hoje.

O curta “Infantaria” (2022), gravado na Barra de São Miguel, foi contemplado por edital do Governo de Alagoas e rapidamente conquistou projeção internacional: premiado no Festival de Berlim (Berlinale), categoria Generation 14plus, qualificado ao Oscar após vencer o Grand Prix no Festival de Curtas do Rio de Janeiro, finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e selecionado para mais de 70 festivais ao redor do mundo.

Foto: Divulgação

“Eu quis criar imagens que, de algum modo, sobrevivessem na memória. Também tinha muita vontade de trabalhar com um elenco infantil e adolescente, misturar realismo com onirismo”, disse ao Jornal do Brasil, em 2023, quando o curta estreou na Berlinale.

Seu primeiro curta de ficção, “Como ficamos da mesma altura” (2020), foi selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Roterdã (IFFR), um dos eventos mais prestigiados da Europa. Laís também é roteirista do longa “Marina”, que recebeu o prêmio de desenvolvimento do Hubert Bals Fund (Holanda) e o prêmio de Melhor Roteiro no Nederlands Film Festival (NFF). O projeto passou pelo laboratório Porto Iracema das Artes, com tutoria do cineasta Karim Aïnouz, e encontra-se atualmente em pós-produção.

Com o projeto do longa “Infantaria”, Laís participou de importantes laboratórios e iniciativas internacionais, como La Fabrique Cinéma, BrLab, CineMundi, MAFIZ e CineLatino Toulouse, além de integrar a Incubadora Paradiso 2024.

“Alagoas acaba sendo uma parte muito importante das minhas histórias… ouvir o sotaque da gente é muito incrível”, afirmou à Revista Alagoana.

Fundadora da produtora Aguda Cinema, a diretora também atua na formação de novos profissionais por meio do projeto Sala de Roteiros, que já ofereceu mais de 700 vagas de capacitação em cinema em Alagoas, com incentivo do Governo do Estado. Atualmente, a produtora desenvolve três longas-metragens em fase de pré-produção.

No momento, Laís celebra o início da residência em Paris com entusiasmo:

“Eu cheguei em Paris na quarta-feira, dia 1º, e já está sendo muito massa o que estou vivenciando, compartilhando a residência com diretores de vários lugares do mundo.”

Além de Infantaria, Laís desenvolve “Marina”, outro longa em fase de finalização, filmado também em Alagoas, com elenco majoritariamente local e temas que dialogam com a juventude e a realidade urbana.

“Marina foi minha primeira experiência em co-direção de longa-metragem e acredito que o filme agitou muita coisa no setor local. Incluímos várias pessoas que nunca tinham atuado no cinema e agora estamos na fase de edição. Estou super animada para o futuro.”

Para a Secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, a seleção de Laís para a residência do Festival de Cannes é motivo de orgulho para Alagoas:

“Ela representa uma geração talentosa de realizadores que têm mostrado a força do nosso audiovisual e a importância dos investimentos na cultura”, destacou Mellina.

Com sua sensibilidade estética, olhar atento às narrativas periféricas e compromisso com o cinema autoral, Laís Santos Araújo reafirma que o cinema alagoano está vivo, inquieto e pronto para conquistar o mundo.

*Historiador e jornalista

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *