Na noite dessa quarta-feira (8), a Câmara dos Deputados deu mais uma demonstração de distanciamento em relação aos interesses da população. Por 251 votos a 193, o plenário aprovou um pedido de retirada de pauta que resultou na rejeição da Medida Provisória (MP) 1303/2025, proposta que previa a taxação dos lucros de bilionários, bancos e casas de apostas — as chamadas bets.
Com o gesto, o Congresso abriu mão de uma oportunidade concreta de corrigir distorções históricas no sistema tributário brasileiro, perpetuando um modelo em que os mais ricos seguem protegidos enquanto o povo continua pagando a conta. A MP perderá a validade, e o país deixará de arrecadar bilhões que poderiam ser aplicados em políticas públicas essenciais.
Entre os deputados alagoanos, Marx Beltrão (PP), Fábio Costa (PP) e Alfredo Gaspar (União Brasil) votaram “sim” ao pedido de retirada de pauta — isto é, contra a continuidade da Medida Provisória e contra a taxação dos superlucros de bilionários, bancos e casas de apostas.
Por outro lado, Paulão (PT), Isnaldo Bulhões Jr. (MDB), Rafael Brito (MDB) e Luciano Amaral (PSD) votaram “não” ao pedido, defendendo a manutenção da proposta e a cobrança de impostos sobre grandes fortunas e rendimentos financeiros.
Já Arthur Lira (PP) e Daniel Barbosa (PP) não registraram voto, permanecendo ausentes da sessão, pesaram a repercussão negativa.
A MP 1303/2025 previa a tributação da receita bruta das bets, com alíquotas entre 12% e 18%, além de aplicações financeiras privilegiadas, como as Letras de Crédito Agrário (LCA), de Crédito Imobiliário (LCI) e de Desenvolvimento (LCD), bem como os juros sobre capital próprio. A proposta poderia gerar R$ 10,5 bilhões em 2025 e R$ 21 bilhões em 2026. Com sua derrubada, o país perderá uma estimativa de R$ 35 bilhões em arrecadação até 2026 — recursos que poderiam fortalecer programas sociais, infraestrutura e educação.
A decisão de retirar a MP da pauta foi classificada por setores progressistas e especialistas em justiça fiscal como um retrocesso grave, que preserva os privilégios de uma minoria bilionária e enfraquece o Estado na sua capacidade de investir no bem-estar coletivo.
Em Alagoas, o voto de Marx Beltrão, Alfredo Gaspar e Fábio Costa é visto como um gesto de alinhamento com os interesses do capital financeiro e das apostas, em detrimento das demandas sociais. Movimentos populares e lideranças locais destacam que essa postura explicita quem realmente representa os poderosos e quem continua ignorando o peso que recai sobre os ombros do trabalhador.
Mais uma vez, o Congresso mostrou que há deputados dispostos a defender os lucros dos poucos em vez da dignidade dos muitos. Cabe agora ao eleitor alagoano registrar esse voto na memória — e lembrar quem escolheu o lado dos bilionários quando o país precisava escolher o povo.






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