No Dia do Professor, a primeira-dama de Maceió, Marina Candia, gravou um vídeo comemorativo exibindo imagens de uma nova escola e anunciando o que chamou de “a primeira escola pública bilíngue do Brasil”.
No vídeo, ela afirma que “os nossos gigantinhos cresceram e agora são bilíngues”, destacando ensino em tempo integral, cinco refeições diárias e aulas “100% em inglês”, além de um “centro esportivo inédito”.
A publicação termina com elogios ao prefeito João Henrique Caldas (JHC), apontado como responsável por “mais uma entrega” na educação municipal.
Ver essa foto no Instagram
Mas, fora das redes sociais, a realidade vivida por professores, alunos e funcionários das escolas municipais de Maceió é bem diferente do cenário apresentado no vídeo.
O Ministério Público Estadual tem realizado visitas de inspeção em diversas unidades de ensino e constatado condições precárias: prédios inseguros, falta de água potável, ausência de materiais escolares, merenda inadequada e ambientes insalubres. Professores e servidores relatam que o abandono se tornou regra na gestão JHC.
Ver essa foto no Instagram
As denúncias também chegam da Câmara Municipal. O vereador Rui Palmeira (PSD), ex-prefeito da capital, tem reiterado que dezenas de obras de escolas e creches estão paralisadas — mesmo havendo recursos garantidos desde sua administração. “As verbas estão disponíveis, mas o atual prefeito preferiu interromper obras importantes para a rede municipal”, afirmou o parlamentar em recente pronunciamento.
O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Educação de Alagoas (Sinteal) reforça o diagnóstico de descaso: falta de transporte escolar, ausência de climatização nas salas, problemas de acessibilidade e infraestrutura deteriorada. Para o sindicato, a situação é de “desmonte e privatização disfarçada”, já que parte das creches e escolas foi terceirizada, contrariando o compromisso de campanha de criar 10 mil novas vagas públicas até dezembro de 2024.
Enquanto isso, a comunicação oficial da prefeitura aposta em vídeos produzidos para as redes sociais, estrelados pela primeira-dama, com promessas de uma educação “do futuro”. No entanto, a chamada “escola bilíngue” ainda não está em funcionamento — e o contraste entre o discurso publicitário e o cotidiano das escolas municipais escancara a distância entre a propaganda e a realidade.
Neste Dia do Professor, a rede pública de Maceió não tem o que comemorar. Entre escolas em ruínas, promessas não cumpridas e o silêncio do poder público, o magistério da capital alagoana continua resistindo — não por apoio do governo, mas apesar dele.






0 comentários