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Com ‘Estórias do vento que passa’, Coaracy Fonseca faz sua estreia literária

por | 26 out, 2025

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Foto: Divulgação

O promotor de Justiça e escritor Coaracy Fonseca faz sua estreia literária na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, no dia 8 de novembro, às 19 horas, no estande 92, juntamente com o Coletivo Mulheres que Escrevem. Membro da Academia Anadiense de Letras e Artes (AALA), Coaracy Fonseca vem publicando crônicas na mídia eletrônica e, em boa hora, decidiu reunir parte desses textos no livro Estórias do vento que passa.

As crônicas, escritas em diferentes períodos, revelam um fio condutor que as une — o olhar sensível e atemporal do autor sobre a vida. Lidas hoje, não soam datadas: podem ser apreciadas em qualquer tempo e lugar. O escritor Coaracy Fonseca concedeu esta entrevista a Geraldo de Majella, do 082 Notícias.

082- A leitura que um promotor de Justiça faz, como dever de ofício, é geralmente sobre o mundo jurídico — leituras circunscritas à aplicação do Direito. O que o levou a escrever ficção e crônicas?

Coaracy Fonseca – É um equívoco pensar o Direito apartado dos fatos da vida. O Direito não é um plexo de concepções abstratas, ele serve à vida e não o contrário. Para tanto, o promotor de Justiça deve embrenhar-se na realidade da existência, deve seguir o chão linguístico da tradição. Hans Kelsen foi vítima de sua própria teoria, ao afastar a ciência do Direito do momento de aplicação, valendo-se apenas de abstrações, foi perseguido pelo nazismo por sua origem judia. O Direito e a literatura se completam, pois nesta última, a pessoa humana é fotografada nos seus sentimentos e valores em estado de flagrância. E é preciso conhecê-los a fundo para aplicar o Direito de forma humana e justa. Ao oferecer uma denúncia ou lançar um parecer, o membro do Ministério Público escreve uma crônica sobre fatos ocorridos na vida real sobre os quais ele deve se posicionar.

Reprodução

082 – Estórias do vento que passa marca sua entrada formal no ambiente literário. Quanto há de memória na sua escrita? E qual o significado da memória familiar para você?

Coaracy Fonseca – Aprendi a apreciar a crônica como um gênero literário a partir da leitura de Humberto de Campos, um escritor do início do século passado.
A crônica é uma escrita rápida e clara sobre acontecimentos da vida, que ganhou novas cores através da pena de escritores de grande talento, como Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade. Tornou-se independente da prosa do romance, do conto e da poesia. Por sua vez, a família é o esteio da sociedade, é a ambiência na qual adquirimos o alicerce para enfrentarmos o mundo, a realidade. Além disso, na minha família, as minhas maiores influências eram apaixonadas pelas letras, e cresci e me desenvolvi sob o aprendizado literário, em contato com a poesia, os romances e a crônica jornalística. Meu avô e meu tio escreviam crônicas com assiduidade para os jornais. Meu pai, como um grande orador do júri, era fascinado pela literatura, e, sobretudo, pela poesia, e tudo me ensinou, inclusive a verbalizar, a convencer pela palavra. Dizia ele, que um bom orador deveria ter a dorsal de um escritor, para falar bem era necessário escrever bem.

082 – A crônica tem sido o gênero que você mais tem escrito e publicado na mídia. Existe o projeto de escrever suas memórias? A vida atribulada de um operador do Direito tem muitos bastidores a revelar — você pensa em registrar essas experiências?

Coaracy Fonseca – Neste momento, decidi realizar uma imersão profunda pela literatura mundial, principalmente com a leitura de autores russos, para melhor compreender a realidade, emoções e sentimentos das pessoas, visando o aperfeiçoamento das crônicas que escrevo. Anoto que tenho uma grande preocupação com a gramática, pois a nossa língua é rica e difícil de ser manejada. Escrever outros gêneros, apesar de não estar descartado, ainda não é o projeto atual, mas um sonho que poderá se concretizar num momento de maior maturação linguística.

082 – Quais são seus escritores preferidos — especialmente os alagoanos?

Coaracy Fonseca – Em Alagoas, eu destaco Graciliano Ramos, Lêdo Ivo, Odilon Rios, Douglas Apratto, Cícero Péricles, dentre outros.
Pois, gosto muito de ler sobre a história de Alagoas, por diversos enfoques. Destaco, ainda, Dirceu Lindoso.

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