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Rio de Janeiro sob fogo: operações policiais atingem recorde de mortes e confrontos

por | 29 out, 2025

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Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil

O estado do Rio de Janeiro vive sob uma rotina de operações policiais de alta letalidade. Desde que Cláudio Castro assumiu o governo, mais de 4.600 operações foram realizadas nas comunidades fluminenses entre junho de 2020 e janeiro de 2025 — uma média de três ações por dia —, segundo levantamento do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) divulgado pela Agência Brasil e pelo UOL em fevereiro deste ano.

No mesmo período, o MPRJ registrou 236 mortes decorrentes dessas operações, de acordo com o “Plantão de Monitoramento de Operações Policiais”. O relatório confirma que, mesmo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impôs restrições às incursões policiais durante a pandemia (ADPF das Favelas), a política de segurança pública do estado manteve o padrão de confronto armado em territórios populares.

Em levantamento divulgado pelo UOL com base em estudo do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni-UFF), foram registradas 182 mortes em 40 chacinas no primeiro ano de gestão de Cláudio Castro (até maio de 2022). Dessas, 31 chacinas ocorreram em operações policiais, consolidando um padrão de ações com elevado número de vítimas.

Mais recentemente, o portal Brasil de Fato apontou que, entre janeiro e maio de 2025, mais de 352 jovens foram mortos em operações policiais na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, segundo levantamento de entidades de direitos humanos.

Os dados revelam que, apesar das recomendações de controle e transparência, a letalidade policial no Rio de Janeiro permanece entre as mais altas do país. O MPRJ e organizações de pesquisa denunciam que a ausência de prestação de contas detalhada sobre o número de mortos — civis e policiais — e o uso desproporcional da força reforçam a percepção de que a política de segurança do estado se transformou em um modelo de confronto permanente, com impacto devastador sobre a população das favelas e periferias.

A Operação Contenção, realizada nessa terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, resultou em 109 mortos — contagem parcial feita por moradores e familiares das vítimas —, entre eles quatro policiais, e mobilizou cerca de 2.500 agentes. O caso levou o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) a cobrarem explicações do governo estadual. Trata-se da maior matança da história da cidade do Rio de Janeiro.

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