O “Mapa do Caminho Baku-Belém para o 1,3 Trilhão”, divulgado na última quarta-feira (5) durante a COP30, propõe um conjunto de medidas para levantar recursos destinados ao enfrentamento da crise climática global. A proposta, elaborada conjuntamente pelas presidências brasileira e azeri das conferências climáticas, sugere taxar atividades poluidoras, transações financeiras e grandes fortunas, além de trocar dívidas externas por investimentos ambientais. As informações são do portal Sumaúma.
O documento estima que seria possível mobilizar US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 7 trilhões) por ano em financiamento climático internacional, valor que, segundo os autores, já existe no sistema financeiro global, mas precisa ser redistribuído de forma justa. “O dinheiro está disponível, mas é preciso corrigir as distorções e direcionar os recursos para quem mais precisa”, afirma a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, citada pelo portal.
O relatório, entregue formalmente à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), destaca que países em desenvolvimento pagaram cerca de US$ 200 bilhões em reparações de dívida a credores privados em 2023 — valor superior ao total de financiamento climático recebido no ano anterior. “Os fluxos financeiros atuais seguem a lógica da desigualdade: os países mais pobres pagam pelos impactos causados pelos mais ricos”, disse o embaixador Pedro Luiz Guerra, um dos coordenadores do texto.
O Mapa do Caminho propõe reformar os bancos multilaterais e fundos climáticos, criando mecanismos de alavancagem que reduzam o custo de capital para países vulneráveis. A ideia é inspirada na resposta econômica à pandemia de covid-19, quando os governos injetaram trilhões de dólares no sistema financeiro global. “Bastaria redirecionar 0,5% dos recursos sob gestão de investidores institucionais — cerca de US$ 900 bilhões — para alcançar parte da meta”, diz o relatório.
Apesar do otimismo, o texto reconhece os desafios políticos para implementar o plano, especialmente pela resistência de grandes economias e pela estrutura de poder nos bancos internacionais. Para contornar essas barreiras, o documento sugere a formação de coalizões regionais e a criação de um grupo de especialistas que deverá detalhar as medidas até outubro de 2026.
A economista Liane Schalatek, da Heinrich Böll Foundation, ouvida pela reportagem de Sumaúma, considerou a iniciativa um avanço, mas advertiu que “é preciso garantir que as promessas de financiamento se traduzam em recursos reais e acessíveis para quem está na linha de frente da crise climática”.
De acordo com a publicação, o Mapa do Caminho busca reposicionar o debate sobre o clima como uma questão de justiça financeira e responsabilidade histórica, defendendo que os países mais ricos, que mais emitiram gases de efeito estufa ao longo dos séculos, contribuam de forma proporcional para a solução da emergência climática.






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