Por Geraldo de Majella*
A tarefa colocada para a esquerda em 2026, tanto em Alagoas quanto no plano nacional, é simultaneamente eleitoral e programática. Reeleger o presidente Lula é o eixo da disputa, mas está longe de ser suficiente: sem ampliar a representação no Congresso Nacional, qualquer projeto de reconstrução democrática seguirá limitado por correlações de força adversas.
A eleição do maior número possível de deputadas e deputados federais, além de senadores comprometidos com a agenda democrática, é condição indispensável para sustentar reformas estruturais e evitar retrocessos.
Esse desafio não deve ser conduzido exclusivamente pelo PT; exige a formação de um bloco político amplo, capaz de articular desde setores do centro comprometidos com o regime democrático até a esquerda programática. A defesa da democracia, para ser eficaz, precisa ser tratada como uma plataforma comum a todos — e não como patrimônio de um partido ou de uma tradição específica.
A consolidação democrática não é um estado definitivamente alcançado, mas um processo contínuo, uma obra em permanente construção. Não depende apenas dos partidos políticos, mas também dos movimentos sociais, do pensamento acadêmico e da organização sindical urbana e rural.
Quanto mais se aprofundarem as lutas por justiça social, distribuição de renda e garantia de direitos, mais resistente será o sistema político às investidas autoritárias. Uma democracia sólida não se sustenta apenas nas instituições do Estado, mas na capacidade de responder às demandas de uma sociedade marcada por profundas desigualdades.
O isolamento da extrema-direita — em suas expressões civis e militares — não se obtém apenas pela denúncia, mas pela construção de alternativas políticas e sociais que tornem irrelevante o discurso golpista. Para isso, é essencial que todas as correntes comprometidas com valores democráticos atuem de forma articulada, reconhecendo que o combate ao autoritarismo é um imperativo comum.
Mais do que disputar eleições, trata-se de disputar o sentido do futuro, garantindo que a democracia não seja apenas preservada, mas aprofundada.
*Historiador e jornalista






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