O Instituto Médico Legal (IML) Estácio de Lima divulgou o balanço das exumações e sepultamentos de corpos não reclamados realizados ao longo de 2025. As ações permitiram a resolução de cerca de 90% dos casos de corpos sem destinação no órgão, garantindo o sepultamento de 157 pessoas em condições sanitárias adequadas e com tratamento digno.
Segundo o perito médico-legista Eduardo Yukishigue Nisiyama, chefe de perícias em mortos do IML de Maceió, o trabalho deu continuidade ao processo iniciado no segundo semestre de 2024, com foco na redução do número de corpos não reclamados e/ou não identificados armazenados na unidade.
De acordo com Nisiyama, a atuação conjunta com a Defensoria Pública foi fundamental para o avanço dos resultados. “Com o apoio dos defensores públicos Lucas Valença e, mais recentemente, Othoniel Pinheiro Neto, conseguimos contato com diversos municípios do interior, por meio de procuradorias e secretarias de assistência social, o que viabilizou a destinação de 66 corpos em 23 municípios”, explicou.
Entre os municípios que receberam corpos estão Atalaia, Boca da Mata, Cajueiro, Flexeiras, Joaquim Gomes e Maragogi, com um corpo cada. Já Colônia Leopoldina, Jequiá da Praia, Maribondo, Paripueira, Satuba, União dos Palmares e Viçosa receberam dois corpos. Outros municípios disponibilizaram mais vagas, como Murici, Rio Largo, São José da Laje e São Luís do Quitunde, com três cada, além de Marechal Deodoro e Porto Calvo, que receberam oito corpos cada. Em alguns casos, as prefeituras também ofertaram o serviço funerário e as urnas, reforçando o cuidado no sepultamento.
Na capital, 91 corpos foram sepultados no cemitério público Divina Pastora. Para viabilizar esses sepultamentos, a equipe do IML realizou 278 exumações, incluindo corpos provenientes do próprio instituto, da comunidade e reinumações. Com o apoio da Prefeitura de Maceió, os sepultamentos ocorreram com serviço funerário completo.
O chefe de perícias destacou que a direção do IML segue empenhada em ampliar a oferta de vagas para sepultamento, tanto em Maceió quanto no interior do estado, e alertou para os riscos da superlotação. “O excesso de corpos pode comprometer o funcionamento das câmaras frigoríficas, tornar o ambiente mais insalubre e representar riscos à saúde dos servidores”, ressaltou.
Atualmente, 17 corpos ainda permanecem no IML de Maceió aguardando definição, seja por falta de identificação, ausência de familiares ou necessidade de conclusão de exames de DNA e decisões judiciais. Como reforço às ações, o instituto firmou recentemente parceria com a Coordenação de Pessoas Desaparecidas da Polícia Civil, com o objetivo de intensificar a busca ativa por familiares e possíveis reclamantes.





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