
Por Claudevan Melo*
O filme Ganga Bruta, dirigido por Humberto Mauro e produzido pela Companhia Cinematográfica Cinédia, fundada pelo cineasta Adhemar Gonzaga, permanece como uma das obras mais marcantes da história do cinema nacional.
Com duração de 82 minutos, o drama narra a história de Marcos, interpretado por Durval Bellini, que mata a esposa Sônia, vivida por Déa Selva, na noite de núpcias, motivado por um triângulo amoroso envolvendo Décio, o noivo. A narrativa densa e psicológica contribuiu para que o filme fosse considerado um dos 100 melhores filmes brasileiros.
A obra apresenta uma mistura de estética modernista e temas psicológicos, incorporando elementos expressionistas. Parte das filmagens ocorreu no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, reforçando o cuidado visual da produção.

“Ganga Bruta” também se destaca por situar-se na transição entre o cinema silencioso e o sonoro. Sua trilha foi gravada pelo sistema Vitafone, no qual os sons eram extraídos de gravações em discos, um recurso técnico característico da época.
As influências psicanalíticas presentes na obra, com destaque para símbolos fálicos, renderam a Humberto Mauro o apelido de “Freud de Cascadura”, em referência ao local onde vivia.
Para o acervo musical-histórico, a trilha sonora ocupa lugar central. A composição de Hekel Tavares inclui as músicas “Ganga Bruta”, que dá nome à película, e “2 Cocos”. Já Radamés Gnattali participa com a obra “Teus Olhos Águas Paradas”.
O registro iconográfico da produção reúne materiais como a partitura da canção “Ganga Bruta”, o disco com a gravação de 1933, imagens do filme e uma fotografia do dia da sincronização da trilha sonora. Nela aparecem, da esquerda para a direita, Adhemar Gonzaga, Hekel Tavares, Déa Selva, Humberto Mauro, o violonista Pereira Filho, Victor Ciacchi, o cantor Jorge Fernandes e Bichara Jorge.

Trata-se de um filme que remete a trabalhos acadêmicos, tanto por sua linguagem quanto por sua relevância histórica.
A homenagem é dedicada a Alice Gonzaga, guardiã do arquivo da Cinédia.
Acervo particular: Claudevan Melo.
*Pesquisador, colecionador e escritor







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