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Especialista alerta: investir em IA sem diagnóstico pode gerar desperdício nas empresas

por | 9 jun, 2026

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A adoção da Inteligência Artificial (IA) tem avançado no ambiente corporativo, mas especialistas alertam que muitas empresas ainda iniciam esse processo de forma equivocada. Segundo o executivo Marcos Betiati, especialista em IA aplicada a negócios, o erro mais comum é investir em ferramentas antes de entender os reais desafios da operação.

“Quando se fala em Inteligência Artificial, muita gente pensa imediatamente em ChatGPT, Gemini ou Claude. São ferramentas importantes, mas representam apenas uma pequena parte do que a IA pode fazer dentro de uma organização”, afirma.

De acordo com Betiati, o principal potencial da tecnologia está na análise de dados e na capacidade de antecipar cenários. Ele explica que a IA pode ajudar empresas a prever cancelamentos de contratos, identificar quedas nas vendas, localizar gargalos operacionais e até detectar perdas financeiras invisíveis no dia a dia da operação.

O especialista cita um caso acompanhado por ele em uma empresa do setor de serviços. Segundo Betiati, o problema não estava na falta de clientes, mas em falhas internas que impediam a captura de parte do faturamento. “Ao reorganizar a operação e aplicar inteligência nos pontos certos, geramos um salto expressivo no resultado em um ano”, relata.

Para ele, o primeiro passo antes de qualquer investimento é realizar um diagnóstico detalhado do negócio. “Não adianta comprar licenças de ferramentas de IA e sair distribuindo para toda a equipe sem entender onde estão os desafios reais da empresa. Sem um diagnóstico adequado, a chance de desperdiçar recursos é enorme”, alerta.

Entre os sinais de que uma empresa pode estar pronta para adotar IA, Betiati aponta o grande volume de informações geradas diariamente, processos repetitivos, dificuldade de prever resultados e problemas na tomada de decisão baseada em dados. Perda de clientes sem explicação clara e crescimento sem aumento proporcional da lucratividade também são indicativos de gargalos que podem ser solucionados com apoio da tecnologia.

Por outro lado, empresas que ainda não possuem processos organizados ou dados confiáveis precisam estruturar melhor a operação antes de avançar em projetos mais robustos de Inteligência Artificial.

Apesar da tecnologia ganhar destaque, o executivo afirma que o maior desafio continua sendo humano. “É absolutamente natural que as equipes sintam receio. Quando uma nova tecnologia chega, as pessoas se perguntam qual vai ser o seu lugar daqui pra frente”, destaca.

Segundo ele, cabe à liderança conduzir esse processo de adaptação, preparando as equipes e evitando resistência interna. “Implementar IA exige liderança, comunicação e gestão da mudança. A empresa que trata a Inteligência Artificial apenas como tecnologia corre o risco de enfrentar rejeição interna e comprometer os resultados”, afirma.

Como orientação inicial, Betiati recomenda que empresários mapeiem os principais gargalos do negócio antes de escolher qualquer ferramenta. “O primeiro passo não é perguntar qual a melhor IA do momento. É identificar quais processos precisam ser melhorados e quais decisões poderiam ser tomadas com mais inteligência”, conclui.

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