Com a chegada do inverno e o aumento da circulação de vírus respiratórios, pessoas com mais de 60 anos precisam redobrar os cuidados com a saúde. Embora Maceió não registre temperaturas extremas, o período favorece o surgimento de gripes, pneumonias e outras infecções que podem evoluir de forma mais grave na terceira idade.
Além da maior exposição a vírus, o envelhecimento também afeta o sistema respiratório. Segundo o pneumologista e professor da Afya Maceió, Tadeu Lopes, os pulmões passam por mudanças naturais que reduzem a capacidade de reação do organismo diante de doenças.
“Após os 60 anos ocorre uma redução natural da reserva respiratória. Um idoso pode descompensar mais rapidamente diante de uma gripe ou pneumonia do que um adulto jovem”, explica.
De acordo com o especialista, a perda da elasticidade pulmonar, a diminuição da força dos músculos respiratórios e a menor eficiência dos mecanismos de defesa das vias aéreas comprometem a capacidade de eliminar secreções e de enfrentar infecções. Entre as alterações mais importantes estão a redução da capacidade pulmonar e o aumento do volume de ar residual nos pulmões, o que diminui a reserva do organismo em situações agudas.
Tadeu Lopes ressalta que as consequências das infecções respiratórias vão além dos pulmões. O processo inflamatório provocado por doenças como gripe e pneumonia pode afetar diretamente o sistema cardiovascular.
“Uma gripe ou pneumonia pode precipitar eventos graves como infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca descompensada, arritmias e até acidente vascular cerebral”, alerta.
Segundo o médico, o aumento dos casos respiratórios durante o inverno não está relacionado apenas às temperaturas mais baixas. A maior circulação de vírus, os ambientes fechados e climatizados e a redução natural da imunidade com o envelhecimento também contribuem para esse cenário.
“Mesmo em cidades de clima quente como Maceió, observamos aumento sazonal de infecções respiratórias nessa época do ano”, afirma.
Entre os sintomas que exigem atenção imediata estão falta de ar, dor no peito, febre persistente, chiado intenso no peito, lábios arroxeados e piora significativa do estado geral. O especialista destaca que, nos idosos, a pneumonia nem sempre se manifesta com febre alta.
“Às vezes, os sinais são mais sutis, como fraqueza, sonolência e confusão mental”, observa.
Vacinação ajuda a proteger pulmões e coração
A vacinação continua sendo uma das principais medidas para prevenir complicações. Segundo Tadeu Lopes, além de reduzir o risco de infecções respiratórias, as vacinas também ajudam a proteger a saúde cardiovascular.
“Vacinar-se não protege apenas os pulmões, mas também o coração. Ao reduzir o risco de infecção, diminui-se a inflamação sistêmica, a sobrecarga cardíaca e o risco de infarto, AVC e internações por insuficiência cardíaca”, destaca.
Para enfrentar o inverno com mais segurança, o pneumologista recomenda manter a vacinação em dia, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada, controlar doenças crônicas, manter uma boa hidratação e procurar assistência médica diante de sintomas persistentes.
“Infecções aparentemente simples podem ter consequências importantes nessa faixa etária. Vacinação, acompanhamento das doenças crônicas e atenção aos sinais de alerta continuam sendo as medidas mais eficazes para reduzir complicações”, conclui.






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