O avanço das apostas esportivas online tem levado empresas de diferentes setores a enfrentar um novo desafio no ambiente de trabalho: o impacto da dependência em jogos sobre a saúde dos funcionários e a produtividade das equipes. Segundo reportagem da Folhapress, associações empresariais e especialistas apontam aumento de casos envolvendo endividamento, absenteísmo e problemas de saúde mental relacionados às chamadas “bets”.
Entre os sinais mais frequentes identificados pelas áreas de recursos humanos estão pedidos recorrentes de adiantamento salarial, dificuldades financeiras, desatenção durante a jornada e ausências injustificadas. Em alguns casos, os trabalhadores também enfrentam conflitos familiares em razão das perdas acumuladas com apostas.
Entidades como a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirmam que o problema tem se tornado cada vez mais presente nas empresas, levando empregadores a buscar formas de acolhimento e orientação aos colaboradores.
A reportagem relata o caso de um empresário do setor de alimentação que identificou a compulsão por apostas de um funcionário após sucessivas faltas registradas sempre no período de pagamento dos salários. Em vez de optar pelo desligamento imediato, o empregador orientou o trabalhador a procurar atendimento especializado oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Grandes companhias também passaram a desenvolver programas internos de conscientização. Empresas como Ypê, Gerdau e Whirlpool promoveram palestras, oficinas de educação financeira e ações de apoio voltadas à prevenção da ludopatia, nome dado ao transtorno relacionado ao jogo compulsivo.
Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostram que os afastamentos associados à perda de controle sobre jogos de azar cresceram quase 60% entre 2024 e 2025, passando de 425 para 679 registros. Embora o número represente uma pequena parcela do total de benefícios concedidos por incapacidade, especialistas avaliam que a tendência é de crescimento diante da popularização das plataformas de apostas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ludopatia é caracterizada quando o jogo passa a ocupar espaço central na vida da pessoa, comprometendo relações familiares, profissionais e sociais. Médicos do trabalho alertam que, além da compulsão, é comum a presença de outros transtornos associados, como ansiedade, depressão e dependência de álcool e drogas, fatores que podem resultar em afastamentos prolongados.
No campo jurídico, a Justiça do Trabalho também acompanha o aumento de processos envolvendo empregados diagnosticados com transtorno do jogo. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) discute critérios para o tratamento desses casos, incluindo a possibilidade de equiparar a ludopatia à dependência química em determinadas situações.
Especialistas defendem que empresas priorizem o acolhimento e o encaminhamento dos trabalhadores para atendimento médico antes da adoção de medidas disciplinares, especialmente quando há diagnóstico clínico da compulsão.
Onde buscar ajuda
O Ministério da Saúde disponibiliza atendimento por telemedicina para pessoas com problemas relacionados às apostas, por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Também oferecem apoio os grupos dos Jogadores Anônimos, o Programa Ambulatorial do Transtorno do Jogo (PRO-AMJO), do Hospital das Clínicas da USP, além das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).






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