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Desastres: prejuízo acumulado em 12 anos soma R$ 732 bilhões

por | 17 maio, 2025

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Foto: Reprodução Maurício Tonetto/Secom Agência Brasil

Mais de R$ 732 bilhões. Esse foi o valor gasto pelo Brasil em pouco mais de uma década por conta de desastres naturais ocorridos entre 2013 e 2024. Os números foram divulgados pelo estudo “Panorama dos Desastres no Brasil – 2013 a 2024”, elaborado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). O levantamento revela que 5.279 municípios — cerca de 94% do total no país — decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública nesse período, totalizando 70.361 registros.

Impactos humanos e sociais

Durante os 12 anos analisados, os desastres afetaram mais de 418 milhões de pessoas, número que supera a população brasileira atual, indicando que muitos cidadãos foram impactados mais de uma vez. O relatório contabiliza 2.978 mortes diretamente relacionadas a esses eventos, além de mais de 6 milhões de pessoas que precisaram deixar suas residências, sendo 1 milhão desabrigadas e 5,1 milhões desalojadas.

Principais causas e regiões mais afetadas

A seca e a estiagem foram responsáveis por 27.900 registros, seguidos por problemas decorrentes do excesso de chuvas, com 20.400 decretos. Juntos, esses fenômenos motivaram 48.400 pedidos de apoio ao governo federal, representando 68,9% dos decretos emitidos no período.

A Região Sul lidera em prejuízos econômicos, concentrando 37,5% das perdas, especialmente nos setores de infraestrutura pública, agricultura, pecuária e habitação. O Nordeste aparece em seguida, com 35,5% dos prejuízos, seguido pelo Sudeste (16,3%), Centro-Oeste (7,9%) e Norte (2,8%).

Setores econômicos mais impactados

A agricultura e a pecuária foram os setores mais afetados, acumulando perdas de R$ 325,6 bilhões e R$ 94,4 bilhões, respectivamente. Outros setores também sofreram impactos significativos: instalações públicas de saúde (R$ 86 bilhões), abastecimento de água potável (R$ 61,2 bilhões), habitação (R$ 43,4 bilhões), obras de infraestrutura (R$ 42,4 bilhões), sistema de transporte (R$ 23,3 bilhões) e indústria (R$ 9,5 bilhões).

Investimentos em prevenção e gestão de riscos

Apesar da magnitude dos prejuízos, o estudo destaca que, dos R$ 13,4 bilhões previstos para ações de gestão de riscos e prevenção de desastres no período analisado, apenas R$ 5,3 bilhões foram efetivamente repassados aos municípios, o que corresponde a 39,8% do total autorizado.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, enfatiza a necessidade urgente de ações integradas de prevenção e gestão de riscos, alertando que os municípios não conseguem enfrentar sozinhos os desafios impostos pelos desastres naturais.

O levantamento reforça a importância de políticas públicas eficazes e investimentos consistentes em prevenção para mitigar os impactos dos desastres naturais e proteger as populações mais vulneráveis.

Nota Técnica permite às vítimas entender nível de afundamento |Foto: Reprodução

Desastre da Braskem em Maceió

Mais de cinco anos após o início do afundamento do solo em Maceió, provocado pela extração de sal-gema pela Braskem, os efeitos socioeconômicos da tragédia ainda marcam profundamente a capital alagoana. Cerca de 60 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas em cinco bairros — Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol — após milhares de imóveis apresentarem risco iminente de colapso.

O deslocamento em massa causou a fragmentação de comunidades inteiras, rompendo laços sociais, afetando o acesso a serviços públicos e comprometendo a identidade de bairros históricos. Bebedouro, por exemplo, abriga patrimônios ameaçados, como igrejas e asilos centenários.

A economia local também entrou em colapso. Pequenos comerciantes, prestadores de serviços e empresários relataram prejuízos milionários, com falência de negócios e perda de pontos comerciais. A falta de transparência nos estudos apresentados pela Braskem sobre os danos econômicos gerou críticas e incertezas sobre a extensão real do impacto.

A Braskem firmou acordos judiciais que totalizam mais de R$ 12 bilhões, envolvendo indenizações, realocação de equipamentos públicos e um plano de compensações sociais. Apesar disso, muitos moradores alegam que os valores não cobrem as perdas materiais e imateriais, e parte deles recorreu à justiça internacional.

Em 2024, uma comissão do Senado recomendou responsabilização criminal da Braskem e de ex-dirigentes da empresa. O caso é hoje considerado um dos maiores desastres ambientais urbanos do mundo, com feridas ainda abertas na população maceioense.

Por Brasil 61

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