segunda-feira 16 de março de 2026

Maceió tem a pior qualidade de vida entre as capitais do Nordeste

Pesquisa divulgada recentemente analisa dados socioambientais da população do país
Reprodução

Por Karina Dantas, da Agência Tatu

Um levantamento inédito, utilizando dados socioambientais dos municípios brasileiros, mostrou que Maceió tem o pior índice de qualidade de vida entre as capitais da região Nordeste e está nas últimas colocações em todo o país. Por outro lado, Aracaju é a capital com o melhor desempenho na região.

Os dados do Índice de Progresso Social (IPS) do Brasil, analisados pela Agência Tatu, revelam que Maceió é a terceira pior capital em qualidade de vida, com pontuação de 62,37 no IPS. A última colocação fica com Porto Velho (57,40) e em seguida Macapá (58,03), ambas no Norte do país.

Por outro lado, as capitais que tiveram a melhor pontuação no ranking foram Brasília (71,25), Goiânia (70,49), Belo Horizonte (69,62), Florianópolis (69,56) e Curitiba (69,36). Aracaju (SE), que teve o melhor resultado entre as capitais do Nordeste, aparece na 10ª posição do país, com 67,89.

O motivo para as capitais nordestinas não aparecerem entre as primeiras colocadas é antigo, e pode estar vinculado ao modelo colonial de ocupação regional, segundo explicou o doutor em Economia, mestre em Sociologia Política e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Péricles.

De acordo com o especialista, esse modelo colonial fez com que, no período republicano, o Nordeste se constituísse como a mais atrasada das regiões brasileiras nos aspectos social e econômico, ao lado da região Norte.

“Apesar de pertencerem à parte mais pobre do país, as cidades nordestinas apresentavam, entre elas, diferenças de desenvolvimento, como as reveladas desde o primeiro cálculo do IDH [Índice de Desenvolvimento Humano], em 1991. Essas diferenças foram influenciadas pela capacidade econômica da localidade que sediava a capital, pela forma de povoamento e pela maior ou menor intensidade das políticas públicas”, argumenta o economista e sociólogo.

Doutor em Economia, mestre em Sociologia Política e professor da Ufal, Cícero Péricles. Foto: Arquivo Pessoal

O professor da Ufal explica que os casos extremos, como Maceió e Aracaju, devem ser analisados de forma diferenciada. “Aracaju é uma cidade menor cuja população cresceu de forma mais ordenada, diferentemente de Maceió, que mais que duplicou de tamanho entre 1980 e 2010 devido à forte migração rural, alcançando quase um milhão de habitantes”, conta Cícero Péricles.

Sobre o IPS Brasil

O estudo analisa diversos aspectos que estão abarcados pelos temas centrais: necessidades básicas humanas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. Para isso, foram utilizados dados públicos, recentes, e que estivessem disponíveis para todos os municípios.

A metodologia do estudo Índice de progresso Social é norteada para responder 12 perguntas que buscam avaliar se as pessoas têm o necessário para prosperar, indo além das métricas tradicionais e paradigmas econômicos.

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Para Cícero Péricles, o levantamento pode ajudar os tomadores de decisão a fazerem melhorias nos municípios, uma vez que existe uma carência de dados municipalizados sobre a realidade de cada local, além de faltar a sistematização dessas informações para os gestores e os agentes de cidadania.

“O Índice de Progresso Social (IPS), ao incorporar indicadores sociais e políticos, além dos econômicos, amplia a possibilidade de um índice geral se aproximar da realidade das diversas e bem diferentes localidades brasileiras. Além do IPS, temos um bom número de índices municipalizados”, diz o economista Cícero Péricles, citando outros indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal e o Ranking de Competitividade dos Municípios.

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3 Comentários

  • A Bahia infelizmente é uma dos piores Estados.
    Educação de pesdoa para pessoa 0
    Alto índice de desemprego
    Principalmente depois do Vírus
    Desorganização, falta de Saneamento básico em vários bairros,
    Transporte público péssimo.
    Muita pobreza,
    Muito tráfico e violência
    Muito assalto.
    Muito paredão e música o que deixa os jovens com um alarmante índice de alcoolismo.
    Moro há mais de 40 ano aqui
    Por isso sei o que estou falando.
    Um forte abraço a todos.

  • Fico muito triste com essa resultado,o povo alagoano São sofridos e merecem que seus governantes lutem por eles.
    Afinal se o povo vota e os coloca no pódio é porque confia e espera ajuda de cada liderança.

  • Maceió é uma cidade “maquiada”, passam uma “maquiagem” na parte turística e investimento de verdade: saúde, educação e segurança nunca são prioridades. O maceioense aplaude isso, acha que vive de elogio de quem vem de fora. Os políticos bem sabem disso e se aproveitam muito, quem tem boas propostas,muitas pautas importantes a discutir e trabalhar não tem nem chance contra os “bonitinhos”, apadrinhados e coronéis. Uma cultura tão rica que fica perdida e agonizando entre folia e super shows de “mais do mesmo” e enlatados copiados a exaustão. A segurança? Quem conhece? E a educação? Se quiser, pague e olhe lá…

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