Por Claudevan Melo*
Pesquisar é, muitas vezes, um trabalho solitário. Exige paciência para percorrer documentos, examinar fotografias, identificar objetos e procurar, em meio a registros do passado, informações que ajudem a compreender a vida e a obra de um personagem. Nesse percurso, cada descoberta tem seu valor. Às vezes, um documento esclarece uma dúvida; em outras ocasiões, um objeto abre caminho para novas perguntas.
Há décadas me dedico à pesquisa sobre Hekel Tavares e à aquisição, em leilões, de obras relacionadas à sua trajetória. Um momento decisivo desse trabalho foi receber de Alberto Tavares Filho, filho do maestro, todo o arquivo deixado pelo compositor. O conjunto reúne partituras, documentos pessoais, instrumentos musicais e outros objetos que fizeram parte de sua vida. Esse material passou a integrar meu acervo e representa uma fonte importante para aprofundar as pesquisas sobre a vida e a obra de Hekel Tavares, além de preservar documentos e objetos que ajudam a contar a história desse grande compositor alagoano e brasileiro.
Entre as peças está um instrumento de percussão denominado mulu-mulu, identificado como pertencente aos indígenas Tucunas. O instrumento foi utilizado por Hekel Tavares na obra sinfônica Ahanguera, no movimento A Dança do Chefe, cuja temática remete às entradas e bandeiras em Goiás, a partir do século XVII. É uma peça singular, cuja história merece ser conhecida e preservada. Espero que encontre, no futuro, uma destinação que assegure sua conservação e seu acesso ao público.
Também guardo um álbum de fotografias familiares e artísticas que pertenceu ao compositor. Meu acervo reúne ainda duas pinturas a óleo sobre tela, ambas de 1940, assinadas pelo pintor Wagner de Castro: uma retrata Martha Dutra, esposa de Hekel Tavares; a outra, o próprio maestro. Recebi as duas obras de Alberto Tavares Filho, a quem sou grato pela confiança.
Esse conjunto reúne documentos, registros e objetos que preservam a memória pessoal e artística de Hekel Tavares e ajudam a compreender sua trajetória como compositor. São testemunhos de uma época que não pode ser revivida, mas cuja história pode ser preservada. Meu trabalho consiste em pesquisar, identificar e proteger esse patrimônio, para que os materiais reunidos possam contribuir para novas investigações sobre a vida e a obra do maestro e ampliar o conhecimento sobre sua produção musical.
Preservar um acervo é assumir uma responsabilidade com a história. O desejo é que esses documentos, fotografias, pinturas e objetos encontrem condições de permanecer protegidos e, no momento oportuno, possam ser conhecidos por pesquisadores e pelo público interessado na vida e na obra de um dos grandes compositores brasileiros nascido em Alagoas.
*Pesquisador, colecionador e escritor










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