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Agricultura familiar pode ser a chave para um novo modelo de desenvolvimento em Alagoas

por | 22 ago, 2026

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Por Geraldo de Majella*

A agricultura familiar deveria ocupar uma posição estratégica na economia alagoana, pela sua capacidade de gerar renda, criar empregos em sua cadeia produtiva, dinamizar os territórios e ampliar a circulação da riqueza produzida no estado.

O Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou em Alagoas 98.542 estabelecimentos agropecuários, dos quais 82.369 foram classificados como agricultura familiar. Esse número representa 83,6% das unidades produtivas rurais do estado. Nesses estabelecimentos estavam ocupadas 227.115 pessoas, o equivalente a 69,5% da mão de obra envolvida nas atividades agropecuárias alagoanas.

Os números revelam uma contradição da economia alagoana: embora a agricultura familiar seja predominante em número de estabelecimentos e concentre a maior parte da mão de obra do campo, ela ainda enfrenta limitações históricas de acesso à terra, ao crédito, à assistência técnica e aos mercados, dificultando a transformação da produção em maior renda e desenvolvimento.

Reprodução

Essa realidade está relacionada a entraves estruturais que reduzem a produtividade, limitam a geração de renda e dificultam a inserção dos agricultores em mercados mais valorizados. A falta de condições adequadas de produção, inovação, comercialização e agregação de valor também restringe a formação de agroindústrias, impedindo que parte desses estabelecimentos amplie seu potencial produtivo e contribua para um maior dinamismo econômico e melhoria das condições de vida no campo.

O principal desafio está na construção de uma estratégia de desenvolvimento capaz de articular produção, comercialização e geração de renda, para que a agricultura familiar deixe de ser vista apenas como um segmento de pequena escala e passe a ocupar um papel estratégico na economia alagoana.

A estrutura agrária de Alagoas também ajuda a explicar parte das desigualdades no campo. A concentração fundiária histórica faz com que muitos agricultores desenvolvam suas atividades em áreas reduzidas, enquanto propriedades médias e grandes concentram parcelas significativas da terra e dispõem de melhores condições de acesso ao crédito, à tecnologia, à infraestrutura e aos instrumentos de apoio à produção, além de maior capacidade de articulação política e institucional.

Transformar esse potencial em realidade significa criar condições para que a agricultura familiar seja reconhecida como uma força capaz de dinamizar a economia local, gerar empregos, agregar valor à produção e fortalecer o desenvolvimento dos territórios rurais.

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Sem uma política estruturada, milhares de famílias rurais permanecem presas a uma economia de baixa renda, embora tenham potencial para contribuir com um novo ciclo de crescimento em Alagoas. O desafio é transformar a agricultura familiar em um dos pilares do desenvolvimento econômico do estado, fortalecendo a geração de renda, a agregação de valor à produção e a oferta de alimentos saudáveis, uma demanda cada vez mais presente na sociedade.

A pergunta que permanece é: se milhares de agricultores familiares produzem apesar das adversidades, por que Alagoas ainda não incorporou esse segmento como uma das bases de um projeto de desenvolvimento econômico, social e sustentável, capaz de transformar sua produção em um vetor estratégico para o futuro do estado?

*Historiador e jornalista

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