A escolha de um carro novo ou usado está cada vez mais ligada a um conjunto de fatores que vai além do preço e do tipo de motorização. Qualidade, desempenho, segurança, tecnologia e histórico de manutenção estão entre os aspectos considerados pelos consumidores brasileiros antes da compra.
Os dados fazem parte do Global Automotive Consumer Study 2026, realizado pela Deloitte com mais de 28,5 mil consumidores de 27 países, incluindo mil entrevistados no Brasil.
Segundo o levantamento, 65% dos brasileiros apontam a qualidade como um dos critérios considerados na escolha do próximo veículo. O desempenho aparece em seguida, citado por 56%, enquanto o preço foi mencionado por 44%.
A pesquisa também indica que a marca tem peso menor para parte dos consumidores. Entre os entrevistados brasileiros, 52% afirmaram que não se importam com a fabricante desde que o veículo seja adequado às suas necessidades.
Para Rogério Almeida, gerente comercial da Renault Du Nort, o comportamento revela uma análise mais ampla por parte do comprador.
“Hoje, o consumidor observa um conjunto de características. Ele quer um carro que seja confiável, seguro, eficiente e que ofereça tecnologias que façam sentido para sua rotina”, afirma.
Mercado de usados em alta
O cenário também se reflete no mercado de veículos usados e seminovos. Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) apontam que 9.078.184 unidades foram comercializadas no Brasil durante o primeiro semestre de 2026.
O volume representa crescimento de 8,7% em relação aos seis primeiros meses de 2025. Apenas em junho, foram 1.585.208 veículos transferidos, alta de 10,3% na comparação anual.
Uma pesquisa da Webmotors Autoinsights, realizada em junho com 1,1 mil brasileiros, mostra que 63% dos entrevistados interessados em comprar um veículo pretendem adquirir um usado ou seminovo. Os modelos zero-quilômetro foram mencionados por 22%.
Entre os consumidores que procuram veículos usados, preço e relação entre custo e benefício aparecem como fatores importantes para a decisão.
Eletrificados avançam
A mudança tecnológica do setor automotivo também começa a influenciar as intenções de compra, embora os veículos flex ainda sejam maioria.
Segundo o levantamento da Webmotors, 60% dos entrevistados interessados em comprar um carro demonstraram preferência por modelos flex. Os híbridos aparecem com 13% e os elétricos, com 5%.
Somados, os veículos eletrificados representam 18% das intenções de compra, quatro pontos percentuais acima do registrado no início de 2026.
O levantamento mostra ainda que 79% dos consumidores que pretendem comprar um veículo já possuem um automóvel, indicando que a substituição do carro atual representa uma parcela importante da demanda.
Tecnologia ganha espaço
Os recursos tecnológicos também passaram a fazer parte da avaliação dos consumidores. Na pesquisa da Deloitte, 76% dos brasileiros consideram o conjunto de tecnologias oferecidas pelo veículo tão importante ou mais importante que o ecossistema tecnológico utilizado em seus smartphones.
Recursos de conectividade, assistência à condução e serviços integrados estão entre os itens que podem influenciar a experiência de uso.
Para 73% dos entrevistados brasileiros, a disponibilidade de tecnologias conectadas aumenta a possibilidade de permanecer por mais tempo com o mesmo veículo. Entre esse grupo, 68% afirmam que poderiam prolongar o período de utilização por pelo menos dois anos.
A segurança também aparece entre as prioridades. O levantamento aponta que 85% dos consumidores brasileiros estariam dispostos a pagar mais por serviços de rastreamento antifurto, enquanto 81% aceitariam pagar adicionalmente por sistemas de assistência emergencial.
Manutenção influencia a revenda
Além dos equipamentos e da tecnologia, a conservação do automóvel continua sendo um elemento relevante para quem pretende trocar de veículo no futuro.
Manter revisões em dia, preservar o estado geral do carro, guardar comprovantes e histórico de manutenção e cuidar dos equipamentos são medidas que podem facilitar a avaliação durante uma negociação.
“O valor daquele veículo também é construído durante o período em que ele permanece com o proprietário. Cuidar da manutenção, seguir as revisões recomendadas e preservar o automóvel são atitudes que contam quando ele volta ao mercado”, afirma Almeida.






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