Conhecida como “ouro vermelho”, a própolis vermelha produzida em Alagoas vem ganhando espaço no mercado por suas características e pelo potencial de valorização. Originário dos manguezais alagoanos, o produto tem propriedades antibacterianas, anti-inflamatórias, cicatrizantes e antioxidantes, além de características associadas ao território de produção.
Diante do crescimento da demanda, o Sebrae Alagoas promoveu, nos dias 20 e 21 de agosto, um alinhamento técnico em produção de própolis vermelha. A iniciativa reuniu consultores e fornecedores credenciados à instituição com o objetivo de ampliar o conhecimento técnico sobre a atividade e preparar profissionais para orientar produtores desde o manejo das colônias até a produção.
A capacitação abordou aspectos relacionados à qualidade, produtividade, reconhecimento de origem e valorização do território. A iniciativa também considera o diferencial da própolis vermelha alagoana reconhecida por Indicação Geográfica, fator que contribui para sua diferenciação e pode ampliar as oportunidades comerciais do produto.
Segundo o analista do Sebrae Alagoas, Humberto Sant’Anna, a preparação dos profissionais é fundamental para acompanhar a expansão da cadeia produtiva.
“A própolis vermelha possui características específicas que a diferenciam de outros tipos de própolis, como a verde e a marrom, o que contribui para o seu potencial de mercado. Nosso grande objetivo é fortalecer a cadeia produtiva da própolis vermelha em Alagoas e, para isso, precisamos contar com profissionais qualificados e preparados para orientar os produtores que desejam investir e ampliar sua produção”, destacou.
Da teoria à prática
A programação foi dividida entre atividades teóricas e práticas. O conteúdo técnico foi apresentado inicialmente na sede do Sebrae Alagoas. Na sequência, os participantes visitaram um apiário em Fernão Velho, instalado em uma área de mangue, para acompanhar procedimentos de manejo voltados ao aumento da produção.
A formação foi conduzida pelo engenheiro agrônomo Edney Magalhães, da EBM Consultoria. Entre as técnicas apresentadas, esteve uma metodologia que permite obter própolis e cera simultaneamente, criando novas possibilidades de aproveitamento e agregação de valor à atividade.
Durante a parte prática, também foram reforçados cuidados necessários para preservar a qualidade do produto em todas as etapas, desde o manejo das colônias até a coleta da própolis.
“O nosso papel, como técnicos e apicultores, é criar as condições adequadas para que elas possam produzir. Por isso, é fundamental aprender a manejar e fortalecer as colônias, aumentando a quantidade de abelhas e criando um ambiente favorável para que elas expressem todo o seu potencial produtivo”, explicou Edney.
Profissionalização da atividade
Com mais de uma década de experiência em apicultura e meliponicultura, o zootecnista e consultor da BeeTech, Matheus Barbosa, ressaltou que a qualificação dos profissionais pode contribuir para que os produtores aproveitem melhor as oportunidades de uma cadeia de alto valor agregado.
Para ele, ainda há espaço para ampliar a profissionalização da atividade e diversificar a produção para além do mel.
“Muitas vezes, a produção acontece de forma mais artesanal e sem um planejamento voltado especificamente para o desenvolvimento de determinados produtos. Existem diversas possibilidades além do mel, como a produção de própolis vermelha, apitoxina, cera e pólen”, afirmou.
O alinhamento técnico busca, assim, ampliar a capacidade dos consultores de orientar produtores interessados em investir na própolis vermelha, contribuindo para elevar a produtividade, manter padrões de qualidade e fortalecer a cadeia produtiva em Alagoas.







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