Quem passa pela Rua Barão de Atalaia, no Centro de Maceió, encontra mais do que uma sequência de quiosques. Instalados ao longo do tradicional Paredão da Assembleia, os alfarrábios guardam livros raros, revistas antigas, discos de vinil, CDs e uma infinidade de objetos que ajudam a preservar a memória cultural de Alagoas.
Conhecidos popularmente como sebos, os espaços atravessam gerações e mantêm vivo o ofício de livreiros que, há décadas, transformam a busca por obras antigas em uma verdadeira experiência de garimpo. Agora, após uma ampla reforma, os 18 quiosques ganharam nova estrutura, mais organização e melhores condições de funcionamento.
Para quem trabalha no local, as mudanças já começam a refletir no aumento do movimento. Livreiro há mais de duas décadas, Rendrikson Conceição afirma que a nova aparência do espaço tem atraído antigos frequentadores e despertado o interesse de novos visitantes.
“A reforma impulsionou a presença de público. São alagoanos e também turistas de todo o Brasil, que vêm muito aqui quando desembarcam dos navios, no Porto. Muita gente chega para se fotografar diante do paredão. É público que compra algum livro ou descobre que a gente vende também pela internet”, contou.
História nas estantes
Entre as prateleiras, é possível encontrar obras de diferentes períodos, autores e estilos. A literatura alagoana, no entanto, ocupa um espaço especial nos alfarrábios.
“Aqui, temos de tudo. São centenas de livros escritos por autores alagoanos. São clássicos que ajudam a contar a nossa história”, afirmou Rendrikson, enquanto apresentava um exemplar de O Boi, a Bota e a Batina, de Clerisvaldo Chagas, obra que retrata aspectos da história de Santana do Ipanema.
A variedade também atrai jovens leitores e colecionadores. O estudante Gabriel da Silva, que saiu de Coruripe para passear em Maceió, aproveitou a visita ao Centro para procurar CDs e outras raridades.
“Gostei da organização e também do jogo de palavras no paredão ao lado”, comentou.
Aluno do curso de Sistemas de Informação do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Gabriel frequenta os alfarrábios desde a infância. “Vinha com meus pais. Hoje, venho só e sempre acho novidades”, disse, mostrando um dos CDs que pretendia levar para casa.
Leitura, cultura e memória
A relação afetiva com o espaço também é destacada por quem cresceu frequentando os sebos. Gabriela Honorato conta que foi ali que desenvolveu o gosto pela leitura e passou a descobrir novos autores e títulos.
“Leio de tudo. Já li muito sobre Alagoas. Temos muitas opções aqui. São mais de 20 mil itens cadastrados”, afirmou.
Mais do que pontos de venda, os alfarrábios se consolidam como espaços de encontro entre gerações. Em meio a livros, revistas, vinis e CDs, o visitante encontra fragmentos de diferentes épocas, obras que saíram de catálogo e registros que dificilmente são localizados em livrarias convencionais.
Com o espaço renovado, a expectativa dos comerciantes é de que o fluxo de visitantes continue crescendo, fortalecendo as vendas e ajudando a preservar uma das mais tradicionais referências culturais do Centro de Maceió. Para quem vive do ofício de vender histórias, cada novo cliente pode significar também a descoberta de um tesouro guardado há anos em uma das estantes do Paredão da Assembleia.








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