Em Capela, a cerca de 60 quilômetros de Maceió, uma receita simples ganhou fama, atravessou gerações e se transformou em símbolo da gastronomia alagoana. Criado por Newton Melo Bastos, conhecido como Seu Newton, o Caldinho de Capela tornou-se, ao longo de décadas, uma das marcas da identidade cultural do município.
A receita conquistou o público em três versões: caldinho de feijão, caldinho de galinha e o tradicional misto, que combina os dois sabores. Servido quente e em pequenas porções, o caldinho ganhou admiradores dentro e fora de Capela.
Mas há um ingrediente que não aparece na lista de preparo: o segredo. A receita original é guardada pela família de Seu Newton, mantendo uma tradição passada de geração em geração e preservando a identidade do prato.
A importância da iguaria ultrapassou as fronteiras do município. Em 2020, o deputado estadual Inácio Loiola apresentou o Projeto de Lei nº 293/2020, propondo o reconhecimento do Caldinho de Capela como Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas. A proposta foi aprovada pela Assembleia Legislativa e transformada na Lei nº 8.326, de 14 de outubro de 2020.
Mais do que uma comida típica, o Caldinho de Capela tornou-se parte da memória afetiva dos alagoanos. Seu reconhecimento como patrimônio cultural ajudou a preservar uma tradição que nasceu no município e ganhou espaço na gastronomia do Estado.
A história do caldinho está diretamente ligada à trajetória de Seu Newton, que transformou uma receita simples em uma marca de Capela. Com sua morte, a família passa a carregar não apenas o segredo da receita original, mas também a responsabilidade de preservar uma tradição que já pertence à memória cultural de Alagoas.
O Caldinho de Capela permanece assim: quente, simples, saboroso e cercado de segredo. Uma receita que pode ser apreciada por todos, mas cuja fórmula original continua sendo conhecida por poucos.






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