O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) apresentou uma agenda estratégica para que a segurança hídrica e a revitalização do rio sejam incorporadas aos programas de governo das eleições de 2026.
A proposta é dirigida aos candidatos à Presidência da República e aos governos dos estados que integram a Bacia do São Francisco. O comitê também encaminhou uma Carta Aberta e um documento técnico com dez compromissos considerados prioritários.
A iniciativa busca contribuir para o debate eleitoral e estimular políticas públicas de longo prazo para enfrentar os principais desafios relacionados à água na região.
Com aproximadamente 2.836 quilômetros de extensão e uma área de drenagem de cerca de 640 mil km², a Bacia do São Francisco abrange áreas de Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, além do Distrito Federal.
A região reúne cerca de 15 milhões de habitantes. As águas do rio são utilizadas no abastecimento humano, geração de energia, irrigação, produção de alimentos, atividades industriais, pesca, turismo e conservação ambiental.
Ao mesmo tempo, a bacia enfrenta problemas como degradação ambiental, déficit de saneamento, assoreamento, conflitos pelo uso da água, redução da disponibilidade hídrica e impactos das mudanças climáticas.
Entre as prioridades apresentadas pelo CBHSF estão o fortalecimento da governança dos recursos hídricos, a ampliação dos investimentos em revitalização hidroambiental e a universalização do saneamento básico urbano e rural.
A agenda também defende medidas para ampliar a segurança hídrica, fortalecer a convivência com o semiárido e aumentar a capacidade de resposta aos efeitos das mudanças climáticas.
Outro compromisso é ampliar o monitoramento, a produção de dados e o planejamento integrado da bacia, além de oferecer maior apoio técnico e financeiro aos municípios.
O saneamento é apontado como uma das áreas prioritárias. O documento destaca os impactos da falta de coleta e tratamento de esgoto, do descarte inadequado de resíduos e de problemas de drenagem sobre a qualidade da água e a saúde pública.
A adaptação climática também é considerada estratégica. Cerca de 78% da Bacia do São Francisco está inserida no semiárido, o que aumenta a necessidade de políticas permanentes para garantir a segurança hídrica.
O CBHSF destaca ainda a elaboração do novo Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (PIRH-SF), que dará continuidade ao planejamento iniciado no ciclo 2016–2025.
O novo plano deverá atualizar diagnósticos, dados e cenários e integrar o planejamento do Rio São Francisco às suas bacias afluentes.
Para o comitê, a revitalização do São Francisco deve ser tratada como uma política de Estado, com continuidade administrativa, investimentos previsíveis e cooperação entre União, estados, municípios e sociedade.
A agenda também defende maior participação social na gestão das águas, incluindo comunidades tradicionais, povos indígenas, quilombolas, jovens, mulheres e populações vulneráveis.
Segundo o CBHSF, garantir água de qualidade significa também fortalecer a segurança alimentar, a saúde pública, a geração de energia, a produção agrícola, a economia regional e a redução das desigualdades.
Os documentos apresentados pelo comitê pretendem, assim, oferecer aos candidatos e às suas equipes técnicas propostas para orientar políticas, programas e investimentos de longo prazo na Bacia do São Francisco.





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