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O centro precisa recuperar seu lugar no jogo político

por | 6 set, 2026

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Por Geraldo de Majella*

O Brasil precisa reconstruir o centro político. Não o Centrão do fisiologismo e das conveniências, mas um centro comprometido com a democracia, a ordem constitucional e o funcionamento das instituições republicanas.

Nos últimos anos, a extrema-direita avançou sobre esse espaço. Mais do que crescer eleitoralmente, conseguiu deslocar setores da direita moderada e ocupar parte do centro político, impondo ao debate público uma agenda de radicalização, intolerância e confronto permanente. O resultado foi o desequilíbrio das forças políticas no Congresso Nacional.

É preciso mudar essa realidade.

A eleição de outubro oferece a oportunidade de recompor esse equilíbrio. O Brasil precisa eleger deputados e senadores que tenham compromisso inequívoco com a Constituição, a democracia e as instituições. Parlamentares capazes de exercer oposição quando necessário, apoiar quando houver convergência e, sobretudo, negociar em defesa do interesse público.

Não se trata de eliminar a esquerda ou a direita da política brasileira. Democracia pressupõe pluralidade e divergência. O que está em questão é outra coisa: impedir que a extrema-direita continue determinando os limites do debate político e condicionando o funcionamento do Congresso.

Um centro democrático pode desempenhar papel decisivo nessa reconstrução. Deve ser capaz de dialogar com diferentes correntes políticas sem se deixar capturar por nenhuma delas. Precisa compreender que democracia não significa apenas ganhar eleições. Significa também respeitar as regras do jogo, os direitos fundamentais, a separação dos Poderes e a legitimidade das instituições.

O equilíbrio parlamentar será particularmente importante diante da possibilidade de um quarto governo de Lula. Se as urnas confirmarem essa escolha, o presidente precisará de condições políticas para executar o programa de governo que emergirá do voto popular.

Isso não significa imaginar um Congresso submisso ao Executivo. Ao contrário. Um Congresso equilibrado deve fiscalizar o governo, aperfeiçoar propostas, rejeitar erros e cobrar resultados. Mas também precisa ser capaz de construir acordos para que decisões de interesse nacional não sejam bloqueadas simplesmente pela radicalização política.

O desafio, portanto, não é construir uma maioria automática para o governo. É restabelecer um equilíbrio de forças capaz de fazer a democracia funcionar.

O centro precisa voltar a ocupar seu espaço.

Não como sinônimo de neutralidade, muito menos de oportunismo, mas como uma força política comprometida com a Constituição, com a democracia e com a capacidade de construir soluções.

É nas urnas que esse equilíbrio poderá ser reconstruído: eleger um Congresso comprometido com a democracia será decisivo para derrotar a radicalização, recuperar a política como instrumento de construção e garantir ao próximo governo as condições para executar o programa escolhido pelo povo.

*Jornalista e historiador

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