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Estudo associa maior consumo de ultraprocessados a risco de sintomas depressivos

por | 9 set, 2026

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O que vai ao prato pode estar relacionado não apenas à saúde física, mas também ao bem-estar mental. Um estudo com 15.960 adultos brasileiros encontrou associação entre o maior consumo de alimentos ultraprocessados e o surgimento de sintomas depressivos.

Publicado em 2024 na revista científica Clinical Nutrition, o trabalho analisou dados da coorte NutriNet Brasil e acompanhou participantes que não apresentavam depressão ou sintomas depressivos no início da pesquisa.

Durante o período médio de acompanhamento, de 18,3 meses, foram registrados 2.373 novos casos de sintomas depressivos.

Segundo os pesquisadores, cada aumento de 10% na participação dos ultraprocessados na alimentação esteve associado a um risco 10% maior de desenvolvimento de sintomas depressivos.

O estudo também reuniu resultados de seis pesquisas prospectivas em uma revisão sistemática e metanálise. Nessa análise, os participantes com maior exposição aos ultraprocessados apresentaram risco 32% maior de desfechos depressivos em comparação com aqueles que consumiam menos esses produtos.

Os resultados, no entanto, não permitem afirmar que os ultraprocessados provoquem depressão diretamente.

A médica nutróloga Eline Soriano destaca que a doença tem múltiplas causas e não pode ser explicada por um único fator.

“Depressão é uma condição multifatorial. Não podemos dizer que uma pessoa desenvolveu depressão porque consome ultraprocessados, assim como não podemos afirmar que mudar a alimentação vai tratar, sozinha, um transtorno depressivo”, explica.

Para a especialista, a alimentação deve ser analisada dentro de um conjunto de fatores que inclui saúde metabólica, sono, atividade física e outros aspectos do estilo de vida.

Dietas com grande quantidade de ultraprocessados costumam apresentar maior presença de açúcares adicionados, sódio, gorduras de baixa qualidade e aditivos, além de menor densidade nutricional. O consumo elevado também pode reduzir a presença de alimentos in natura ou minimamente processados na rotina.

A relação entre alimentação e saúde mental também vem sendo estudada a partir do chamado eixo intestino-cérebro. A microbiota intestinal participa de processos metabólicos, imunológicos e inflamatórios, mas ainda não há uma dieta específica capaz de prevenir ou tratar isoladamente a depressão.

Outro mecanismo investigado é a inflamação crônica de baixo grau, que pode estar relacionada a alterações metabólicas, sedentarismo, excesso de gordura corporal, sono inadequado e determinados padrões alimentares.

A nutróloga também chama atenção para sintomas como cansaço persistente, indisposição e dificuldade de concentração. Embora sejam sinais inespecíficos, alterações nutricionais ou metabólicas podem contribuir para alguns quadros.

“Existem deficiências de vitaminas e minerais que podem repercutir em energia, disposição e funcionamento do organismo, mas suplementar sem identificar uma necessidade não é a resposta”, afirma.

A avaliação, segundo Eline, deve ser individualizada, com investigação das possíveis causas antes da indicação de suplementação.

No Setembro Amarelo, a especialista reforça que alimentação saudável, atividade física e sono adequado podem contribuir para a saúde global, mas não substituem acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário.

“Uma pessoa com sintomas de depressão precisa de avaliação adequada. O cuidado pode envolver diferentes profissionais, e a nutrologia entra como uma das áreas que podem contribuir dentro dessa abordagem multidisciplinar”, conclui.

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