A filha de um procurador e sobrinha de um desembargador do Maranhão tomou posse como delegada da Polícia Civil após conseguir na Justiça o direito de continuar em um concurso no qual havia sido eliminada na primeira fase. Ariana Sampaio Sousa ficou em 2.018º lugar na prova objetiva do certame realizado em 2017.
A posse ocorreu em maio de 2025 e atualmente é contestada pelo governo do Maranhão no Tribunal de Justiça do Estado. A informação foi divulgada pelo colunista Carlos Madeiro, do UOL.
Ariana é filha de Francisco Barros Sousa, subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Jurídicos, e sobrinha do desembargador Raimundo Barros.
O edital previa 20 vagas imediatas, além de 80 para cadastro de reserva. A candidata realizou apenas a prova objetiva e, por causa da classificação, não avançou para as demais etapas, que incluíam prova discursiva, avaliação de títulos, exames médicos, teste físico, avaliação psicológica e investigação social e funcional.
A regra do concurso estabelecia uma cláusula de barreira que permitia a convocação de apenas 225 candidatos da ampla concorrência para a prova discursiva.
A defesa de Ariana questionou a regra e afirmou que ela havia alcançado a pontuação mínima exigida, com 60 acertos em 100 questões. Também sustentou que uma lei estadual aprovada posteriormente permitia flexibilizar a cláusula para convocação ao curso de formação e composição do cadastro de reserva.
Com uma decisão liminar, Ariana conseguiu participar do Curso de Formação Profissional da Academia de Polícia Civil e foi aprovada.
Em abril de 2025, o juiz Osmar Gomes dos Santos, da 1ª Vara da Fazenda Pública de São Luís, anulou a eliminação e determinou a nomeação e posse da candidata. Para o magistrado, impedir a continuidade após a aprovação no curso de formação contrariaria a finalidade do concurso e o interesse público.
O governo estadual recorreu e defende a validade da cláusula de barreira. A Procuradoria-Geral do Estado também argumenta que a flexibilização poderia abrir precedente para outros candidatos eliminados.
O Ministério Público do Maranhão se manifestou a favor do recurso do Estado e pediu a reforma da decisão. Segundo o órgão, a nomeação de uma candidata que não atingiu a classificação prevista no edital poderia comprometer a isonomia entre os concorrentes.
Ariana atualmente está lotada em uma delegacia de Bacabal e participou da investigação sobre o desaparecimento de duas crianças na cidade. A Polícia Civil informou que está em andamento sua transferência para São Luís, a pedido da própria delegada.
O caso ainda aguarda julgamento no TJ-MA. A defesa de Ariana foi procurada, mas não se manifestou.





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