O resultado político da atuação de André Mendonça ultrapassou o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Sua imagem passou a ser explorada intensamente por setores da extrema-direita nas redes sociais. Levantamento recente identificou ao menos 24 perfis dedicados ao ministro, muitos impulsionados por contas bolsonaristas.
Mendonça passou a ocupar o lugar de voz da extrema-direita dentro do STF. Sua atuação alimentou o rebuliço político nas redes sociais desse campo e transformou uma disputa judicial em combustível para a campanha eleitoral.
André Mendonça não é apenas um ministro divergente. Sua atuação no caso Banco Master o coloca como agente golpista no interior do STF. Está em jogo a tentativa de tensionar a Corte, expor seus integrantes e criar, dentro de uma instituição fundamental da República, um foco de instabilidade política.
A extrema-direita não precisa estar fora das instituições para atacá-las. Também pode agir por dentro. É isso que o caso Mendonça revela.
A democracia brasileira tem sido torpedeada pela extrema-direita brasileira e internacional, tendo o governo Donald Trump como ponta de lança. Uma dimensão desse processo se manifesta dentro do STF pela atuação de Mendonça.
Sua atuação não é apenas a de mais um ministro em um colegiado marcado por divergências, o que é normal. Mendonça tem sido visto por alguns de seus pares como militante da campanha de Flávio Bolsonaro. O que está em discussão é mais grave: a manipulação de uma investigação judicial para atingir o ministro Alexandre de Moraes e o PGR Paulo Gonet, com timing eleitoral.
Mendonça levantou o sigilo de relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e referências a Moraes. A divulgação colocou o ministro no centro de uma operação de desgaste político às vésperas da eleição presidencial.
O relatório também trazia supostas mensagens envolvendo Paulo Gonet. Na sessão de 15 de setembro, Mendonça reconheceu que não havia irregularidade nas conversas relacionadas ao procurador-geral. Ainda assim, submeteu o PGR a exposição pública sem que o conteúdo revelasse qualquer irregularidade. A PGR havia contestado a validade do relatório e pedido sua nulidade.
Outro ato de Mendonça foi o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A medida provocou reação de Flávio Dino e ampliou a disputa institucional no STF.
Nesse ambiente, Gilmar Mendes criticou Mendonça, acusando-o de condução com “inequívoco viés político-eleitoral” e questionando o momento da divulgação do relatório, que, segundo ele, transformava a investigação em instrumento de disputa eleitoral.
Dino fez crítica de natureza diferente, centrada no rito e na condução do julgamento. Propôs o exame conjunto dos procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça e, diante do ambiente criado na sessão, pediu vista. O julgamento foi suspenso sem análise do mérito.
O caso ultrapassa a divergência entre ministros. A extrema-direita atua dentro das instituições para tensioná-las, expor seus integrantes e produzir instabilidade política. É nesse contexto que se deve compreender a atuação de André Mendonça no STF.






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