O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta terça-feira (22) o debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, com críticas à interferência externa em processos eleitorais e defesa da soberania dos países latino-americanos.
Sem citar diretamente os Estados Unidos, Lula afirmou que o Brasil deve manter relações de cooperação com outras nações, mas sem se submeter à influência de qualquer potência.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento”, declarou.
Ao abordar a América Latina e o Caribe, o presidente também afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a aproximação entre os países da região. Segundo ele, a democracia voltou a enfrentar riscos relacionados à interferência estrangeira.
“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, disse Lula, que também defendeu o direito de venezuelanos e nicaraguenses decidirem seus próprios destinos políticos.
O discurso tratou ainda da situação da ONU. Lula classificou o atual momento da organização como um dos mais críticos desde que ocupou pela primeira vez a tribuna, em 2003, e criticou a atuação do Conselho de Segurança diante dos conflitos internacionais.
“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, afirmou.
O presidente também abordou o combate ao crime organizado e rejeitou a necessidade de presença militar estrangeira para proteger águas e fronteiras brasileiras. Para Lula, o enfrentamento ao tráfico de armas e dinheiro deve ocorrer por meio de cooperação internacional.
“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime”, declarou.
O pronunciamento ocorreu antes da fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que discursaria na sequência.
Com informações do Uol







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