Até 45% do risco de desenvolver demência pode estar associado a fatores modificáveis ao longo da vida, segundo diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicadas em 2026.
Entre eles estão hipertensão, diabetes, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso e alterações nos níveis de colesterol.
A relação reforça a importância de cuidar da saúde metabólica e cardiovascular antes da velhice. A doença de Alzheimer, forma mais comum de demência, representa entre 60% e 70% dos casos. Atualmente, mais de 57 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no mundo.
Para a médica nutróloga Eline Soriano, o acompanhamento de fatores metabólicos pode contribuir para preservar a saúde cognitiva. Segundo ela, condições como hipertensão, diabetes, obesidade e colesterol elevado afetam não apenas o sistema cardiovascular, mas também podem estar relacionadas ao declínio cognitivo.
“Quando falamos em envelhecimento saudável, precisamos entender o organismo de forma integrada. Alterações como hipertensão, diabetes, obesidade e colesterol elevado não repercutem apenas na saúde cardiovascular. O controle desses fatores ao longo da vida também está relacionado à redução do risco de declínio cognitivo e demência”, explica.
De acordo com as recomendações da OMS, a adoção de atividade física regular, alimentação equilibrada, manutenção de um peso saudável e controle da pressão arterial, colesterol e glicemia estão entre as medidas que podem ajudar a reduzir fatores de risco.
Diabetes e resistência à insulina, por exemplo, podem provocar alterações vasculares e metabólicas. Já hipertensão, excesso de peso e colesterol elevado também fazem parte do conjunto de condições que devem ser acompanhadas durante a vida.
“Não existe uma medida isolada capaz de prevenir o Alzheimer. O que existe é a construção de saúde ao longo dos anos. Alimentação adequada, atividade física, sono de qualidade e controle das doenças metabólicas fazem parte desse cuidado, sempre considerando os fatores individuais de cada paciente”, afirma a médica.
As diretrizes também alertam que suplementos não devem ser tratados como estratégia preventiva isolada. Na ausência de deficiência diagnosticada, a OMS não recomenda vitaminas B e E, ômega-3 ou multivitamínicos e minerais especificamente para prevenir declínio cognitivo ou demência.
Para Eline Soriano, os cuidados devem começar antes da terceira idade. “É importante que as pessoas não esperem chegar à terceira idade para pensar em envelhecimento saudável. A forma como cuidamos do metabolismo aos 30, 40 ou 50 anos pode repercutir na saúde que teremos nas décadas seguintes”, conclui.







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