Vídeos falsos produzidos por inteligência artificial e conteúdos de baixa qualidade estão entre os principais riscos digitais para as eleições e o debate democrático. O alerta consta no Guia Internet, Democracia e Eleições, divulgado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
Segundo o documento, o cenário mudou desde a primeira edição do guia, publicada em 2018. Aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, ganharam espaço na disseminação de conteúdos, enquanto a desinformação passou a circular de forma simultânea em diferentes plataformas.
O vídeo também se tornou um dos principais formatos usados para espalhar informações enganosas. O CGI.br destaca que conteúdos falsos costumam ser acompanhados por textos curtos que reforçam a narrativa apresentada.
A inteligência artificial generativa é apontada como um fator que pode ampliar esse cenário nas eleições de 2026. Ferramentas capazes de produzir imagens, vídeos e textos cada vez mais realistas podem dificultar a identificação de conteúdos manipulados, especialmente no caso das chamadas deepfakes.
“Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem”, afirmou a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.
Segundo ela, compreender o funcionamento das plataformas e a maneira como os conteúdos são distribuídos é importante para preservar a qualidade do debate público. “Esclarecer esses mecanismos é uma das finalidades do guia”, acrescentou.
Risco de perda de confiança
O estudo também alerta que o avanço das deepfakes pode aumentar a desconfiança sobre conteúdos verdadeiros. O problema, segundo o guia, é que a dificuldade de distinguir material real de conteúdo manipulado pode levar parte do público a desacreditar até mesmo informações verificadas.
O CGI.br aponta ainda que a polarização política e a perda de confiança em instituições podem favorecer esse ambiente. O documento chama atenção para o comportamento de usuários que procuram principalmente informações que confirmem suas próprias convicções.
Além de explicar o funcionamento dos sistemas de recomendação e das ferramentas de inteligência artificial, o guia reúne orientações para ajudar cidadãos a identificar conteúdos enganosos e evitar sua propagação durante o período eleitoral.







0 comentários