Por Geraldo de Majella*
A Federação Brasil da Esperança tem diante de si uma oportunidade que poderá ser discutida depois do segundo turno da eleição presidencial, quando estará definida a disputa pela Presidência da República. Até lá, a prioridade é a eleição do presidente Lula. Encerrada essa etapa, porém, será importante começar a preparar, com antecedência, a próxima eleição municipal. O resultado das eleições de 2026 deixou nomes que disputaram vagas para deputado estadual e federal e que, em Maceió, alcançaram votações significativas, mesmo diante das diferentes condições de estrutura e de campanha.
Entre esses nomes estão Alycia da Bancada Negra, Judson Cabral, Elida Miranda, Professor Dilson, Izael do Sinteal, Pastor Wellington do Pinheiro, Dafne Orion, Mônica Carvalho, Sal Bernardo, Marcondes Costa e Charles Hebert. São trajetórias distintas, com inserções sociais e políticas diferentes, mas que podem constituir parte da base para a formação de uma chapa competitiva para a Câmara Municipal.
A construção dessa chapa não precisa se limitar aos nomes que participaram da eleição de 2026. Outros candidatos podem ser convidados a integrar o projeto, ampliando a representação social e política da federação. O fundamental é que a composição tenha uma espinha dorsal formada por candidaturas comprometidas com as bandeiras históricas da esquerda e, ao mesmo tempo, capazes de dialogar com os problemas concretos de Maceió.
Há, entretanto, um problema que a esquerda precisa enfrentar: a resistência em discutir eleições com antecedência. Durante muito tempo, o improviso ocupou espaço excessivo na organização eleitoral do PT e de outros partidos do campo progressista. Candidaturas são definidas às vésperas das convenções, alianças são negociadas sob pressão e campanhas começam quando o adversário já percorreu boa parte do caminho.
Eleição não se improvisa. Exige planejamento, formação política, organização territorial, comunicação, construção de alianças e definição antecipada de prioridades. Também não é aceitável que partidos políticos sejam surpreendidos pelo calendário eleitoral. No Brasil, a cada dois anos há eleições, e esse ciclo é conhecido com bastante antecedência.
A próxima disputa municipal não começa apenas quando forem abertas as convenções partidárias. Ela começa agora, com a avaliação dos resultados de 2026, a identificação de lideranças, a organização das bases e a construção de um projeto político para Maceió.
A Federação Brasil da Esperança tem, portanto, a possibilidade de transformar o resultado eleitoral recente em ponto de partida para uma estratégia de médio prazo. Se souber organizar suas forças, ampliar o diálogo com a sociedade e abandonar a cultura do improviso, poderá chegar à próxima eleição municipal mais preparada e com uma chapa capaz de representar, no Legislativo, a diversidade e as bandeiras da esquerda.
*Jornalista e historiador







0 comentários