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Alagoas: o 2º turno sem a campanha dos federais

por | 7 out, 2026

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Por Edberto Ticianeli, do História de Alagoas

Mesmo considerando que as eleições majoritárias tendem a não se vincular às disputas proporcionais, avalio que vivemos, nas eleições de 2026, uma realidade diferente, oriunda das ações das chamadas emendas federais em Alagoas.

Alguns números ajudam a dimensionar o peso que esses recursos adquiriram no financiamento das políticas públicas em Alagoas. Em 2024, foram cerca de R$ 1,466 bilhão. No mesmo ano, o Governo de Alagoas realizou R$ 3,277 bilhões em investimentos, segundo a Secretaria da Fazenda.

A comparação revela uma proporção significativa: o volume de emendas federais destinado a Alagoas em 2024 correspondeu a cerca de 45% de tudo o que o Governo do Estado investiu naquele ano. Em números redondos, para cada R$ 100 investidos pelo governo estadual, chegaram aproximadamente R$ 45 por meio de emendas parlamentares.

Na era dessas gordas emendas, fica evidente que o Poder Legislativo se comporta cada vez mais como Executivo, descarregando, quase sempre sem controle algum, milhões nas prefeituras ou em instituições vinculadas politicamente aos parlamentares.

Isso se reflete nos poderes municipais, que passam a ter nos deputados federais as fontes dos recursos para investimentos, quase sempre superiores ao que é investido pelo Governo Estadual. Quando acontece a eleição, o autor da emenda é retribuído.

Essa constatação ajuda a entender as expressivas votações dos deputados federais, principalmente Arthur Lira, que recebeu 948 mil votos para o Senado, votos dobrados com Marina Candia (926.860 votos). Foi mais votado — assim como Marina Candia — que os candidatos ao governo de Alagoas: JHC, com 892 mil votos, e Renan Filho, com 809 mil votos.

Avalio que foi esse deslocamento de poder que proporcionou a estrondosa votação aos deputados federais, que, em sua maioria, amarraram seus votos aos de Flávio Bolsonaro, adversário de Lula, que externou seu interesse em acabar com essas emendas.

Vamos aos números dos seis deputados federais eleitos por partidos da base bolsonarista:

Alvinho Lira (PP) – 172.628 votos
Fábio Costa (PP) – 165.649 votos
Luciano Amaral (PSD) – 155.915 votos
Marx Beltrão (União) – 100.705 votos
Júlia Nunes (PSD) – 71.815 votos
Gilvan Barros (PSDB) – 63.061 votos

Somaram 730 mil votos nominais. Os suplentes desse campo com votação superior a 30 mil votos — foram seis — agregaram mais 298 mil votos, gerando 1,028 milhão de sufrágios.

No campo lulista, a chapa de federais da Federação Brasil da Esperança (PT–PV–PCdoB) recebeu 90 mil votos nominais, quase todos dos candidatos do PT (85.896 votos nominais), que obteve para Paulão a expressiva votação de 63.813 sufrágios.

Três deputados federais eleitos também são desse mesmo campo lulista: Rafael Brito (MDB), Isnaldo Bulhões (MDB) e Daniel Barbosa (PP). Estes somaram 330 mil votos, o que eleva o campo lulista para 420 mil votos nominais para os federais.

Agora entramos na fase das especulações.

Os candidatos, eleitos ou não, do campo bolsonarista investiram muitos recursos para se elegerem, sempre puxando votos para o seu candidato a presidente. Como atuarão no 2º turno esses candidatos a federal? Repetirão o volume de campanha do 1º turno? Fornecerão transporte e alimentação para seus eleitores? E os seus prefeitos e vereadores, que aproveitaram para estocar “capital político” para as eleições de 2028, atuarão na captação de votos da mesma forma que no 1º turno?

Para a campanha de Flávio Bolsonaro, podemos considerar que parte desse 1,028 milhão de votos ficará sem a mesma tutela das campanhas proporcionais do 1º turno.

O mesmo problema atinge a campanha de Lula, mas numa proporção bem menor, considerando que o universo de votos nominais dos seus federais foi de 420 mil. Lembrando que, desses, 85.896 foram destinados a candidatos petistas.

Elenco essas informações e argumentos para indicar que o 2º turno das eleições tende a não receber a máxima influência de fatores que atuaram fortemente no 1º turno: as milionárias campanhas dos federais, que colheram os frutos das emendas parlamentares.

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