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TRUMP é rejeitado pelos americanos. Ele deve governar o Brasil?

por | 13 out, 2026

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Por Coaracy Fonseca*

Se as eleições presidenciais dos Estados Unidos fossem realizadas pelo voto popular direto, como no Brasil, Donald Trump enfrentaria hoje um cenário desfavorável. Pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada em outubro de 2026, aponta que apenas 32% dos americanos aprovam seu governo, revelando uma insatisfação que ultrapassa as divisões partidárias.

Na hipótese de essa rejeição se transformar em votos contrários à sua permanência no poder, Trump dificilmente conquistaria a maioria popular numa eleição direta realizada neste momento.

A principal causa de sua impopularidade está na economia. A inflação e o encarecimento dos alimentos, combustíveis e moradia que atingem as famílias americanas. Segundo a Reuters/Ipsos, 78% dos entrevistados atribuem alguma responsabilidade às políticas presidenciais pelo aumento do custo de vida.

As tarifas comerciais, apresentadas como instrumentos de proteção da indústria americana, também provocam resistência por seus efeitos sobre os preços dos produtos e os custos suportados pelos consumidores.

A guerra contra o Irã constitui outro fator de desgaste. A participação americana no conflito, seus custos econômicos e os reflexos sobre os preços da energia ampliaram o descontentamento com a política externa presidencial.

A política migratória igualmente contribui para a rejeição. Deportações e medidas restritivas despertaram críticas, inclusive entre setores do eleitorado hispânico. Apenas 24% dos americanos de origem latina aprovam Trump.

A insatisfação alcança o próprio Partido Republicano. Entre seus correligionários, a aprovação presidencial caiu de 86%, em janeiro de 2026, para 73%, em setembro, demonstrando que o desgaste ultrapassa a oposição democrata.

Esses indicadores revelam os limites dos discursos nacionalistas e das demonstrações de força quando as decisões governamentais produzem consequências negativas para a população.

Entretanto, enquanto Trump enfrenta crescente rejeição entre os americanos, setores políticos brasileiros continuam tratando suas posições como referências para os destinos nacionais.

A admiração por um governante estrangeiro é legítima, trata-se de opção individual. Contudo, afinidade ideológica não pode significar submissão política. O Brasil é uma República soberana, cujas decisões devem atender aos interesses de seu povo, não às conveniências de governos estrangeiros.

A soberania popular constitui fundamento da democracia. Nenhum presidente de outra nação recebeu dos brasileiros autorização para interferir na condução política do país, tampouco para colocar o olho nas terras raras, na Floresta Amazônica e em nosso potencial energético.

A hipótese de uma eleição direta nos Estados Unidos evidencia o desgaste de Trump diante da rejeição popular e suscita uma reflexão sobre sua influência na política brasileira.

Se Trump é rejeitado por grande parcela dos americanos, que conhece diretamente as consequências de seu governo, por que os eleitores brasileiros deveriam aceitar que ele influenciasse no destino do Brasil, como se tivesse autoridade para governar nosso país?

*É Promotor de Justiça e Ex-Procurador-Geral de Justiça de Alagoas

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