Entidades e movimentos sociais nacionais e estaduais divulgaram uma nota de solidariedade e agradecimento à professora doutora Betânia Gomes, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por sua atuação em defesa dos estudantes e da autonomia universitária durante o episódio ocorrido na noite de 8 de outubro, no campus de Arapiraca.
A manifestação é assinada pelo Fórum Alagoano em Defesa do SUS (FórumSUS), pela Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde (FNCPS) e por organizações sindicais, acadêmicas, estudantis e de defesa da saúde pública e dos direitos humanos.
Segundo a nota, oito homens, em veículos identificados com símbolos da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, entraram no campus da Ufal em Arapiraca, às 22h do dia 8 de outubro, com o propósito declarado de retirar cartazes. O grupo intimidou estudantes, conforme registrado em vídeos publicados nas redes sociais.
A professora Betânia Gomes enfrentou o grupo em defesa dos estudantes e da autonomia universitária. De acordo com a nota, ela sofreu ameaças e intimidações. O vereador de Arapiraca Alisson da Tim (PP), acompanhado de seus “assessores”, participou do episódio de intimidação no campus.
Defesa da autonomia universitária
Na nota, as entidades ressaltam que a autonomia universitária é um princípio constitucional que assegura a liberdade de pensamento e de manifestação de ideias nas instituições de ensino superior. O documento afirma que a universidade, como espaço de produção do conhecimento e de pensamento crítico, não pode se curvar ao obscurantismo nem permitir que a violência seja utilizada para cercear o debate.
Os signatários destacam a trajetória de Betânia Gomes como educadora comprometida com a ciência, a educação libertadora de Paulo Freire, a saúde pública, o antirracismo e a liberdade religiosa. A nota reconhece na atuação da professora uma expressão do compromisso com a educação e com o enfrentamento das injustiças sociais.
As organizações declaram solidariedade à docente e repudiam as ações que, segundo o documento, buscaram impedir a livre manifestação do pensamento e da opinião dentro da universidade.
A manifestação foi divulgada em 15 de outubro, Dia das Professoras e dos Professores. As entidades aproveitam a data para homenagear Betânia Gomes e todos os profissionais da educação que resistem ao obscurantismo e ao negacionismo científico.
Ao final, a nota reafirma a defesa da livre manifestação de ideias nas universidades e expressa o apoio coletivo à professora com a frase: “Somos todas e todos Betânia!”.
Entidades signatárias
Assinam a nota o Fórum Alagoano em Defesa do SUS (FórumSUS); a Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde (FNCPS); o Fórum de Saúde do Rio de Janeiro; o Fórum de Saúde Mental de Maceió; o Fórum Alagoano de Saúde Mental; a Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (Renila); o Coletivo de Estudos Gramscianos da Ufal; os grupos de pesquisa Políticas Públicas, Controle Social e Movimentos Sociais (PPGSS/Ufal), Frida Kahlo (PPGSS/Ufal), Estudos e Pesquisas em História, Gênero e Sexualidade (GEPHGS), Gênero, Diversidade e Direitos Humanos (Diverge/PPGSS/Ufal), Serviço Social, Trabalho, Profissão e Políticas Sociais (PPGSS/Ufal) e Trabalho e Serviço Social (Trasso/PPGSS/Ufal).
Também assinam o Sindicato dos Bancários de Alagoas; o Sindicato dos Assistentes Sociais do Estado de Alagoas (Saseal); o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Alagoas (Sineal); o Sindicato dos Psicólogos de Alagoas (Sindpsi/AL); o Sindicato dos Técnicos de Radiologia e Auxiliares do Estado de Alagoas (Sintraeal); o Sindicato dos Nutricionistas de Alagoas (Sindnut/AL); o Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores do Serviço Público da Saúde e da Previdência do Estado do Paraná (Sindsaúde do Paraná); a Executiva Nacional de Estudantes de Nutrição; a Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme); a Associação Brasileira de Enfermagem — Seção Alagoas (ABEn); o Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências); a articulação da I e II Conferência Nacional Livre de Associações, Coletivos e Movimentos Sociais da Luta Antimanicomial (Conalivre Usufam); a Associação dos Profissionais Servidores Públicos do Estado de São Paulo (APSP); e a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra).







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