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Lula ultrapassa Flávio Bolsonaro em popularidade digital, aponta Quaest

por | 19 out, 2026

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu a liderança em popularidade digital entre os candidatos à Presidência da República, superando o senador Flávio Bolsonaro (PL). Os dados são do Índice de Popularidade Digital (IPD), elaborado pela consultoria Quaest, e foram divulgados pela Folha de S.Paulo nesse domingo (18).

O levantamento considera o desempenho dos candidatos nas plataformas digitais entre os dias 4 e 15 de outubro. Nesse intervalo, Lula avançou de 70,7 para 82,6 pontos, enquanto Flávio recuou de 80 para 76,4. A escala do indicador vai de zero a 100.

O IPD reúne 175 variáveis relacionadas à presença e ao engajamento nas redes sociais e em serviços digitais, como Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, X, Google e Wikipédia.

Campanha de Lula intensificou atuação nas redes

Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, a mudança no ranking está relacionada à reação da campanha petista após o resultado do primeiro turno. A estratégia passou a explorar formatos mais populares nas redes sociais e a ampliar a participação dos apoiadores na divulgação de conteúdos.

Entre as iniciativas estão vídeos verticais, com legendas e gravações em estilo selfie, impulsionados com a participação da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG). O deputado André Janones (Rede-MG) também colaborou na articulação do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, voltado à organização de apoiadores e à distribuição de ações de mobilização digital.

A comunicação da campanha também incorporou acontecimentos fora da internet, como manifestações na Avenida Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, no Rio de Janeiro. A aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 pelo Senado foi outro tema explorado.

Na avaliação de Nunes, os números apontam uma alteração na dinâmica da disputa.

“O indicador é uma sinalização de mudança de quadro. Sugere que Flávio perdeu a condição de favorito que ele sustentava no primeiro turno”, afirmou o diretor da Quaest à *Folha de S.Paulo*.

Apoios políticos não impulsionaram Flávio

Apesar de receber manifestações de apoio de políticos que ficaram de fora do segundo turno, Flávio Bolsonaro não apresentou crescimento no indicador. Entre os nomes que declararam apoio ao senador estão Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e o ex-presidente Michel Temer (MDB).

O senador também recebeu autorização para visitar o pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde agosto de 2025.

Segundo a análise da consultoria, esses movimentos não foram acompanhados por uma expansão da popularidade digital do candidato, que apresentou retração no período. A redução no ritmo de mobilização da campanha do PL é apontada como um dos fatores que podem explicar o resultado.

Nunes avalia ainda que o apoio de lideranças políticas tradicionais já não exerce a mesma influência sobre o eleitorado. Os eleitores têm recorrido a outras fontes de informação e desenvolvido formas próprias de avaliar os candidatos, diminuindo o peso de declarações públicas de apoio.

Outro fator considerado pelo pesquisador é a percepção de que Flávio chegaria ao segundo turno em posição favorável. No primeiro turno, o senador obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Essa expectativa de vantagem pode ter contribuído para uma redução da intensidade das atividades de campanha.

Abstenção pode influenciar resultado

Com uma disputa acirrada, a capacidade de mobilizar eleitores tende a ganhar importância na reta final. No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, segundo os dados mencionados na reportagem.

Para o diretor da Quaest, o avanço de Lula no ambiente digital pode indicar maior disposição de seus apoiadores para participar da votação. Flávio, por sua vez, manteria uma base digital consolidada, mas sem apresentar o mesmo crescimento.

Nunes considera que uma eventual redução da abstenção pode beneficiar o presidente, caso a campanha consiga transformar o engajamento nas redes em presença efetiva nas urnas.

O levantamento, porém, mede a popularidade digital dos candidatos, e não a intenção de voto. Embora a consultoria aponte uma relação entre o indicador e os resultados eleitorais desde 2020, o desempenho nas plataformas digitais não determina, isoladamente, o resultado da eleição.

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