Por Claudevan Melo*
Estive no Cemitério Nossa Senhora da Piedade, em Maceió, como faço periodicamente, em minhas pesquisas sobre personalidades da cultura alagoana, nos mais diversos campos de atuação. Na sexta-feira (23), fui em busca do túmulo de Rosalvo Ribeiro, um dos mais importantes pintores alagoanos. O que encontrei foi uma situação de abandono que merece ser conhecida e, sobretudo, enfrentada pelas instituições responsáveis pela preservação do patrimônio histórico e cultural de Alagoas.
O túmulo está completamente abandonado. Fotografei a placa de identificação e torno pública a situação encontrada. O estado de conservação revela o descuido com a memória de um artista cuja trajetória ultrapassou as fronteiras de Alagoas.
Rosalvo Ribeiro nasceu em Marechal Deodoro, em 1865, e morreu em Maceió, em 1915. Ingressou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 1886, onde estudou por cerca de dois anos. Em 1888, recebeu uma bolsa do governo alagoano para aperfeiçoar sua formação em Paris, na França, onde permaneceu até 1901. Durante esse período, estudou na Académie Julian e na Escola de Belas-Artes de Paris, sob a orientação de importantes mestres da pintura francesa. Sua trajetória alcançou reconhecimento internacional, e sua obra ocupa um lugar relevante na história das artes plásticas brasileiras.
É difícil compreender como um artista dessa importância pode permanecer esquecido até mesmo no lugar onde repousam seus restos mortais. O abandono do túmulo simboliza o descuido com a memória de quem contribuiu para a cultura alagoana e brasileira. Preservar esse espaço é também reconhecer a importância de Rosalvo Ribeiro para a história da arte.
A situação exige providências. Os órgãos públicos responsáveis pela cultura e pelo patrimônio histórico devem atuar para garantir a identificação oficial do túmulo e promover sua recuperação e conservação.
Tornar pública essa situação é uma forma de chamar a atenção para a responsabilidade coletiva de preservar nosso patrimônio histórico e cultural. A memória de um povo não se preserva apenas nos livros, museus e monumentos, mas também nos cemitérios, onde repousam homens e mulheres que contribuíram para a construção de nossa história.
Rosalvo Ribeiro merece ter sua obra reconhecida e seu túmulo preservado com a dignidade que sua trajetória exige. Não podemos aceitar que um dos grandes nomes da pintura alagoana permaneça nessa condição de abandono. Cuidar de sua sepultura é reafirmar nosso compromisso com a história e a cultura de Alagoas.
*Pesquisador, colecionador e escritor.








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