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Relatório aponta indícios de execuções e manipulação de câmeras em operação no Rio

por | nov 3, 2026 | Destaque, Geral | 0 Comentários

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Um relatório da organização Human Rights Watch (HRW), divulgado um ano após a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, aponta indícios de uso excessivo da força, possíveis mortes intencionais e manipulação de câmeras corporais por policiais.

A ação, realizada em 28 de outubro de 2025, deixou 122 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, incluindo cinco agentes de segurança.

A entidade analisou os 122 laudos de necropsia e identificou que 85 das 117 vítimas que não eram policiais apresentavam pelo menos um ferimento de entrada de tiro nas costas. Mais da metade dos mortos também tinha ferimentos em três ou mais regiões do corpo.

O levantamento destaca casos que levantam suspeitas sobre a atuação dos agentes. Um deles é o de Ronaldo Julião da Silva, de 46 anos. Segundo testemunhas ouvidas pela organização, ele estaria desarmado e com as mãos levantadas quando foi atingido por disparos. A entidade também analisou o caso de Yago Ravel Rodrigues Rosario, de 19 anos, que foi baleado na região lombar e posteriormente decapitado.

Câmeras corporais e falhas na investigação

O relatório identificou suspeitas de manipulação das câmeras corporais, incluindo lentes cobertas, equipamentos retirados dos uniformes e aparelhos deixados dentro de viaturas. Segundo a HRW, foram registrados ao menos 146 episódios suspeitos de interferência nas gravações.

A organização também apontou que apenas 23% dos cerca de 2,5 mil policiais envolvidos na operação utilizavam câmeras corporais, apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o uso dos equipamentos.

Outro problema identificado foi a ausência de gravações que mostrassem as mortes. A entidade afirma que a retirada dos corpos e a falta de preservação adequada dos locais prejudicaram o trabalho da perícia e a reconstrução das circunstâncias dos disparos.

Entre as 117 vítimas que não eram policiais, apenas sete foram baleadas, levadas a hospitais e posteriormente presas. Para a organização, a proporção entre mortos e feridos detidos reforça os questionamentos sobre a necessidade e a proporcionalidade da força utilizada.

A HRW defende a realização de investigações rápidas, completas e independentes sobre cada morte, além da apuração das decisões e do planejamento da operação. O relatório ressalta que a participação em organizações criminosas ou a existência de antecedentes criminais não justificam execuções ou uso desproporcional da força.

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