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Estudantes de medicina denunciam ameaças a eleitores de Lula em faculdade de Campinas

por | nov 6, 2026 | Manchete, Política | 0 Comentários

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Estudantes de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas (SP), denunciam ameaças de agressão e episódios de discriminação contra eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo reportagem do ICL Notícias, mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp incluem imagens de armas e propostas para identificar alunos que votaram no petista.

As conversas ocorreram após o segundo turno das eleições, em 25 de outubro. Em um dos grupos, que reúne cerca de 750 estudantes, um aluno ameaçou agredir colegas identificados como petistas. Outra mensagem compartilhava a imagem de um homem com uma camisa do PT amordaçado e com as mãos amarradas.

De acordo com relatos, o clima de intimidação afetou a rotina acadêmica. Alguns estudantes deixaram de frequentar atividades por medo de agressões, enquanto outros relataram hostilidade após terem suas preferências políticas expostas.

Um dos casos envolve uma estudante que decidiu trancar a matrícula depois que uma foto em que comemorava a vitória de Lula foi compartilhada nos grupos. A família procurou a instituição para cobrar providências, mas, segundo a reportagem, não recebeu garantias suficientes de segurança.

Além das ameaças, estudantes denunciaram ofensas relacionadas à condição econômica, à orientação sexual e à origem regional. Uma aluna relatou ter sido ridicularizada por ser LGBTQIA+ e não pertencer ao mesmo grupo social de outros colegas.

Reprodução

“Mandic não é lugar para pobre”, teria ouvido, conforme o relato publicado pelo ICL Notícias.

Os estudantes também afirmam que mensagens nos grupos incentivavam a divulgação de nomes de eleitores de Lula e de professores associados à esquerda. A reportagem informou, porém, que não conseguiu confirmar a existência de listas com essas informações.

Faculdade abre investigação

Em 29 de outubro, a São Leopoldo Mandic anunciou a criação de uma comissão disciplinar para apurar os episódios. Em resposta ao ICL Notícias, a instituição declarou que não tolera ameaças, intimidações ou discriminação por motivos políticos.

A faculdade informou ainda que um estudante foi afastado cautelarmente devido à gravidade de uma manifestação. Segundo a instituição, a medida é preventiva e não representa uma punição definitiva.

A direção também afirmou ter disponibilizado atendimento pelo Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAP) e orientado as coordenações a reforçar as regras de convivência. A instituição não informou quantos alunos são investigados.

Bolsistas relatam hostilidade

A reportagem também relaciona os relatos de preconceito à presença de estudantes de baixa renda na instituição, que oferece bolsas integrais pelo Programa Universidade para Todos (ProUni).

Segundo alunos ouvidos pelo portal, a hostilidade contra bolsistas teria se intensificado durante o período eleitoral, com ataques políticos e comentários discriminatórios. A mensalidade do curso de medicina em Campinas é de R$ 14.578, conforme os dados apresentados na reportagem.

Os estudantes cobram transparência sobre a investigação e medidas que garantam segurança no ambiente acadêmico.

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