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Após ataques bolsonaristas, padre Zezinho deixa as redes sociais

por | 15 out, 2022

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Padre Zezinho fez publicação sobre as eleições

Por Thalys Alcântara, do Metrópoles

Famoso no meio católico por causa da carreira na música cristã, padre Zezinho se irritou com o clima de disputa dentro da Igreja por causa do segundo turno das eleições presidenciais.

Em publicação nas redes sociais, o sacerdote afirmou que foi atacado por apoiadores do candidato Jair Messias Bolsonaro (PL) e anunciou que vai se afastar das redes sociais até 31 de outubro.

“Continuam a dizer que sou mau padre, que sou comunista e que sou traidor de Cristo e da Pátria porque ensino doutrina social cristã”, escreveu o padre compositor na última quarta-feira (12/10), Dia de Nossa Senhora Aparecida.

Católicos irados

Padre Zezinho abre o texto dizendo que se cansou de fiéis superpolitizados e irados. O estopim foram as ofensas contra o papa, bispos e ele.

Bolsonaro, candidato à reeleição, esteve em Aparecida (SP) no dia 12, e apoiadores do presidente entraram em conflito com católicos que acompanhavam o evento religioso.

“Espero que estes católicos irados que desqualificam qualquer bispo ou padre que ousa ensinar um fiel a pensar como católicos consigam o que querem. Querem um Brasil direitista ou esquerdista, porque está claro que não aceitam nenhuma pregação moderada que propõe diálogo político, social e ecumênico”, escreveu padre Zezinho.

Veja a íntegra do comunicado:

___________________________
CANSEI DE ABRIR ESPAÇO PARA CATÓLICOS SUPER POLITIZADOS, IRADOS E INSATISFEITOS COM NOSSA IGREJA . ESTOU ME RETIRANDO ATÉ DIA 31.
_____________________________

DEPOIS DAS OFENSAS DE HOJE CONTRA O PAPA , contra os bispos,contra mim , com calúnias e palavras de baixo calão estou fechando esta página até dia 31 de outubro.

O triste é que as ofensas são todas de católicos radicais que preferiram o seu partido político ao catecismo católico.

São Paulo tinha razão quanto escreveu as epístolas a Timóteo e aos cristãos de Tessalônica . Não querem catequese, nem o Vaticano II, nem os documentos da CNBB , nem nenhuma orientação social e espiritual.

Já escolheram ser catequizados por dois poderosos políticos brasileiros.

Meus 81 anos, meus 56 anos de padre, meus 102 livros, minha cultura religiosa, minhas mais de 2 mil canções nada dizem para eles. Insistem que não lhes sirvo mais como padre e pregador para eles.

Acharam candidatos mais católicos do que Papas e bispos , cujos documentos nunca leram . A Bíblia nada lhes diz . Só conhecem as passagens políticas que ajudem o seu partido . Padre bom é o que vota como eles.

Quem ajuda a dialogar com a Bíblia na mão é visto como padre inútil, ateu, comunista ou ultrapassado . Nem o Papa argentino escapa . Há 2 mil anos os escribas e fariseus e saduceus e outros quatro grupos políticos fizeram o mesmo com Jesus. Para estes religiosos radicais e ultra politizados, tudo o que ele dizia era errado.

Continuam a dizer que sou mau padre, que sou comunista e que sou traidor de Cristo e da Pátria porque ensino doutrina social cristã .

Dia 31 voltarei a conversar com os católicos serenos que ainda querem catequese espiritual e social e comportamental . Os outros já decidiram. Não querem estes livros que usamos para ensinar a fé católica.

Espero que estes católicos irados que desqualificam qualquer bispo ou padre que ousa ensinar um fiel a pensar como católicos, consigam o que querem.

Querem um Brasil direitista ou esquerdista, porque está claro que não aceitam nenhuma pregação moderada que propõe diálogo político , social e ecumênico.

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