Bolsonaro já fez as malas e vai para Orlando-Flórida. Nos Estados Unidos, deve estabelecer a sua base política, de onde emitirá “sinais” para os seus seguidores.
Esta é a primeira vez na história recente que um presidente abandona o país para não cumprir com o ritual de passagem da faixa presidencial ao seu sucessor.
O general João Figueiredo, o último ditador, se negou a passar a faixa para José Sarney, em 1985. O presidente eleito Tancredo Neves foi hospitalizado e morreu antes de tomar posse, cabendo a Sarney assumir o cargo.
Os últimos acontecimentos ocorridos em Brasília, como as ações terroristas praticadas por apoiadores do presidente Bolsonaro têm deixado os políticos e as forças policiais em alerta. Os crimes vão desde a tentativa de invasão da sede da Polícia Federal e depredações de prédios públicos e privados, incêndios em série de carros e ônibus e a prisão de um dirigente de célula terrorista, George Washington, que explodiria um caminhão no aeroporto da capital federal.
O rastro deixado pro Bolsonaro tem no terrorismo a sua principal sequela. A proliferação de CACs e a liberação geral para compras de armamentos indicavam a sua estratégia para estabelecer o domínio do país através das armas e do golpe com apoio militar.
Essa estratégia foi ardilosamente montada com outro elemento que era a mobilização de parcela da população que o apoia. As combinações precisariam que o circuito fosse fechado com a entrada em cena das Forças Armadas.
A resistência de instituições do Estado como o Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demoliu todas as tentativas golpistas de Bolsonaro e do seu vice, Hamilton Mourão, e dos militares que o seguem.
A fuga nas últimas horas, ainda, pode ser acompanhada de surpresas desagradáveis visto que inúmeras células terroristas foram constituídas e estão em funcionamento no Brasil e tem a posse do presidente Lula como alvo principal.
O governo Lula terá pela frente uma tarefa inadiável, que é o combate às organizações terroristas montadas a partir do discurso e das ações do governo Bolsonaro.
Existe a possibilidade de que sejam estruturados grupos paramilitares bolsonaristas, a exemplo do que ocorre em países vizinhos como a Colômbia, onde assassinam autoridades do Estado e lideranças sindicais camponesas e urbanas, defensores dos direitos humanos, religiosos e indígenas.
Histórico
Antes disso, o general Floriano Peixoto, que governou o país entre 1891 e 1894, também faltou à posse de Prudente de Morais. E Afonso Pena morreu de pneumonia em 1909, antes de passar a faixa para Nilo Peçanha.
Em 1954, Getúlio Vargas suicidou, levando Café Filho a assumir o cargo às pressas, sem possibilidade de receber a faixa.
Em 1992, Fernando Collor de Mello sofreu um impeachment e não passou a faixa para o sucessor, Itamar Franco.








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