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Paulinho da Viola: Tiny Desk Brasil

por | 19 out, 2026

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Por Lorena Calabria

Quando Paulinho da Viola entrou no escritório do Tiny Desk Brasil, algo mudou de frequência. Sem fazer esforço para chamar atenção, sua presença trouxe uma calma imediata, que contagiou todos ao redor. As conversas diminuíram, os movimentos ficaram mais suaves. Era como se os ponteiros, enfim, se alinhassem.

O ambiente não era uma novidade para ele, que já havia assistido a um episódio do Tiny Desk na NPR e gostado bastante. “Era a Doechii”, diz João Rabello, seu filho e violonista. “Eu que mostrei pro meu pai.” A cantora Beatriz Rabello, filha de Paulinho, também participou da gravação, num encontro familiar em que a música passa de uma geração para outra. O grupo se completou com seis músicos que acompanham Paulinho há muitos anos. Essa convivência ajudou a criar um clima de intimidade, mesmo fora dos palcos habituais. “É tudo diferente, mas parece que a gente tá em casa. No começo você até estranha um pouco, né? Não ter o retorno de voz que tenho nos shows em geral, mas depois fui me acostumando”, comentou.

Pergunto se ele vê semelhança com as rodas de choro e samba, marcadas pelo volume baixo e pelo pouco aparato tecnológico. “Tem um pouco, sim. Eu participava como ouvinte das rodas de choro ao lado do meu pai [o violonista César Faria, do Época de Ouro], via ele tocando com Jacob do Bandolim. E aqui tem uma coisa muito importante também. Não parece nada, mas o chão com carpete ajuda muito na acústica.”

Paulinho da Viola. Foto: IMS

Paulinho alternou entre cavaquinho e violão, conforme o que cada música pedia, enquanto João Rabello reforçava o acompanhamento nas cordas. “Antes do João tocar comigo era o avô dele no violão. Aí eu pensei: já tem um violão, então vou usar mais o cavaquinho porque vai enriquecer mais esses sambas. Os dois violões também são muito legais. O violão tem mais recursos, né? O cavaquinho é um instrumento que exige muito da gente. Você tem que estar sempre tocando.”

Escolher apenas seis músicas de um repertório tão vasto não foi tarefa simples. São canções que atravessam décadas sem perder o frescor e continuam presentes na memória afetiva da música brasileira. Entre clássicos e composições menos conhecidas, Paulinho e João buscaram um equilíbrio que também permitisse experimentar novos arranjos. “Eu e João conversamos muito sobre essas escolhas. Tem muita coisa do meu trabalho que não é tão conhecida, como ‘Retiro’. Mas o público pode dizer ‘eu me lembro dessa’, como é o caso de ‘Sinal Fechado’. A intenção era mostrar algo diferente da gravação original, trazer uma certa tensão. No fim, fechamos com ‘Pecado Capital’, ‘Timoneiro’, ‘Dança da Solidão’ e ‘Coração Leviano’”, diz Paulinho. “O desafio foi pegar 60 anos de carreira e colocar em seis músicas”, aponta João. “A gente podia seguir vários caminhos, mas escolhemos esse apanhado de músicas mais conhecidas.”

Em versos que observam o cotidiano e celebram o próprio samba, Paulinho da Viola mantém um diálogo permanente entre tradição e modernidade. Seu mundo é hoje!

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